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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Acabou a Copa

Pois é. Acabou a Copa. Agora é hora de voltar a falar de outros temas, não sem antes fazermos um balanço final. A campeã foi a Espanha, a oitava campeã da História, mas poderia ter sido qualquer um dos quatro semi-finalistas. A Holanda também soube trabalhar bem a bola e venceu bem os seis jogos que disputou antes da final. Teve sempre mais posse de bola e jogou sempre pelo chão, como é de seu estilo. Também continuou usando linha de impedimento, como a Holanda do Carrossel e a de 98. Não fugiu em momento algum de sua característica, até chegar à final e encontrar uma equipe com características semelhantes, que também privilegiava a posse de bola e os passes rasteiros. A diferença é que a Espanha conseguiu fazer maior movimentação ofensiva e tinha um elenco um pouco melhor tecnicamente. O título foi merecido, mas isso não tirou os méritos de jogadores como Robben e Sneijder.

A Alemanha foi brilhante contra Argentina e Inglaterra, mas também se perdeu no jogo contra os espanhóis. Não conseguiram encaixar os contra-ataques e seu principal jogador foi muito bem marcado: Schweinsteiger. Mérito dos espanhóis mais uma vez. O time alemão, jovem e de encher os olhos, se contentou mesmo com o terceiro lugar. Já os uruguaios, depois de uma partida épica contra Gana (a mais emocionante do Mundial), acabaram perdendo com dignidade, e ainda tiveram o prêmio do melhor jogador da Copa - Forlán.

Para o Brasil, faltou mesmo elenco e tranqüilidade, mas se pode dizer que a campanha de Dunga foi satisfatória, tendo em vista o nível de equilíbrio desta Copa. O mesmo serve para a Argentina de Maradona. Vale ressaltar que a única seleção que terminou invicta a competição foi a Nova Zelândia (quem diria?).

Por fim, destaque para o polvo que adivinhava os resultados: não errou uma. Já se diz aqui no Brasil que perguntaram para o polvo quem ia vencer a eleição brasileira (Dilma ou Serra) e ele tentou várias vezes sair do aquário.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Chegou a Fase Final!

Agora, restam apenas oito partidas para o fim da 19ª Copa. Muitas indefinições. Alemanha e Argentina até agora são as melhores equipes do Mundial, mas se enfrentam já nas quartas. Os alemães parecem estar com mais entrosamento. Derrotaram os ingleses com muita competência numa partida emocionante, que entrará para a História por causa do gol de Lampard que o árbitro anulou (impossível não fazer uma comparação com o gol de Hurst que foi validado há 44 anos). Os argentinos, apesar de não terem o mesmo entrosamento, têm valores individuais que desequilibram, como Messi. Será outra partida épica. O vencedor provavelmente enfrentará a Espanha, que deve ter qualidade suficiente para desbancar o regular mas pouco criativo Paraguai.

Do mesmo jeito, Brasil e Holanda fazem outra disputa interessante. A melhor defesa no papel é a do Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lúcio e Juan. Só Michel Bastos na esquerda não inspira tanta confiança. O problema é que é justamente daquele lado que joga Robben, craque holandês. Será um duelo interessante. A Holanda pode complicar a vida do Brasil, que tem desfalques no meio-campo. Os europeus podem vencer o duelo no meio-campo e devem ter a posse de bola. Mas isso pode não contar muito, já que o contra-ataque canarinho é muito eficiente, com Robinho em boa fase, e Luis Fabiano com condições de ganhar disputas de bolas longas dos zagueiros laranjas.

O confronto entre Uruguai e Gana será muito interessante. A equipe africana conta com a força defensiva e os bons marcadores do meio-campo para tentar ganhar o jogo em um contra-ataque, em uma bola longa, ou na bola parada, contando com a força de Boateng e o oportunismo de Gyan. Já os sul-americanos deverão manter a posse da bola e torcer pela inspiração de Suarez e Forlan, dois dos craques da Copa até aqui.

Dia 12 de julho comentaremos as finais e faremos um balanço final da Copa, antes de mudarmos de assunto, já que em breve teremos eleições...

sábado, 26 de junho de 2010

Terceira Rodada

A terceira rodada reservou algumas zebras. Algumas seleções de tradição ficaram de fora da Copa, mas já não se esperava muito de Itália e França nesse ano. Da Itália ainda se previa a classificação para as oitavas, mas da França, nem isso. A grande zebra mesmo veio do grupo da Holanda, com a classificação do Japão no lugar de Dinamarca e Camarões. Nas oitavas-de-final, muitos confrontos interessantes. Chamou atenção também o fato de que pela primeira vez na História os anfitriões não se classificaram. Outro dado interessante é que teremos seis europeus na fase de oitavas, mas pelo cruzamento surge outro dado histórico interessante, já que teremos somente três europeus entre os oito melhores - vale ressaltar que a proporção de países europeus na Copa nunca foi tão baixa.

O Uruguai fez uma ótima primeira fase. Tem uma defesa boa comandada por Lugano, um meio-campo que marca muito e cria pouco, e pelo menos dois atacantes de muita qualidade (Forlán e Suarez). Acabou resolvendo o problema de criação trazendo Forlán para o meio, numa boa aposta do treinador. Sua adversária Coréia até agora jogou fechada, num 4-5-1, e saindo em velocidade no contra-ataque. Ao que parece, classificou-se por estar num grupo não tão forte, e por ter encontrado uma Nigéria de pouca inspiração ofensiva.

A Argentina terminou a primeira fase com a melhor campanha e tem boas chances contra o México, ao menos em tese. Acontece que o time mexicano não está morto, e tem jogadores com velocidade para explorar as deficiências portenhas pelos lados do campo. Mascherano terá trabalho para cobrir as laterais, que devem ser ocupadas pelos bons laterais mexicanos Osorio e Salcido, além de Giovani dos Santos, um habilidoso ponta. A vantagem da Argentina é a presença de Messi e seus companheiros de frente. Talvez seja um jogo de muitos gols, pelas características ofensivas das duas equipes.

Nos confrontos dos cruzamentos dos grupos C e D, encontraremos uma equipe norte-americana com muita empolgação, por ter conquistado com justiça o primeiro lugar de seu grupo, embora apenas nos acréscimos do jogo contra a Argélia. Os EUA jogam num esquema 4-4-2 inglês, com duas linhas. Tem um bom goleiro, uma boa dupla de zaga, um bom volante (Bradley) e um meia de qualidade (Donovan). Faltam definidores no ataque. Seu adversário, Gana, deu muita sorte até aqui. Beneficiado pelos outros resultados de um grupo muito equilibrado, e por dois pênalties que sérvios e australianos cometeram - os únicos gols de Gana até aqui saíram de pênalti. De resto, o time sente muito a ausência de Essien, mas tem dois bons valores no meio-campo: Boateng e Ayew. A defesa é sólida e levou somente dois gols até aqui. Ainda assim, ligeiro favoritismo para os americanos.

Inglaterra e Alemanha farão o maior clássico da segunda fase, e talvez um dos maiores da Copa. Os ingleses têm um ótimo elenco, mas vivem um momento péssimo em termos de condição física. Ficou claro que não tiveram fôlego para atacar seus três adversários da primeira fase no segundo tempo, o que nos faz crer que não aguentarão uma prorrogação daqui para frente. Lógico que a qualidade técnica de Gerrard, Lampard e Rooney é superior à de praticamente todas as equipes, mas a condição física atrapalha. Os alemães entrarão novamente com seu esquema 4-2-3-1, mas podem sentir a falta de um dos organizadores de jogo, já que Schweinsteiger é dúvida. Partida indefinida. Vale lembrar que desde 1938 a Alemanha sempre passa no mínimo às quartas-de-final.

O Japão surpreendeu a todos. Com dois gols de falta no primeiro tempo, superou a equipe da Dinamarca, mais técnica, mas que não teve pernas para correr atrás do resultado. Agora enfrenta o Paraguai, equipe regular que joga num esquema de duas linhas de quatro e que tem uma de suas principais jogadas na descida do lateral-esquerdo Morel Rodriguez. O Japão deve jogar de igual para igual, já que melhorou muito defensivamente de uns anos para cá. Está com uma boa dupla de zaga e aposta nos contra-ataques ou nas bolas paradas. Outro jogo equilibrado.

A Holanda está sobrando até agora na Copa. Faz boas jogadas de meio-campo e bons chutes de longe, e tem um grande repertório ofensivo. Ainda não se sabe ao certo se sua defesa está à altura. Mas deve ser suficiente para vencer a boa Eslováquia, agora único representante do futebol do leste europeu. Os eslovacos venceram os italianos, numa das partidas mais emocionantes da Copa. Souberam marcar bem, e Hamski apareceu mais para o jogo. Tiveram um pouco de sorte também, mas mereceram a vaga. A Itália pagou o preço de apostar demais na camisa e não conseguiu montar uma equipe competitiva, com opções mais diversificadas de jogo.

Por fim, Brasil e Chile farão outro ótimo duelo latino-americano. Uma das surpresas da Copa pelo futebol vistoso e ofensivo, o Chile tem time para bater o Brasil. Tem muitas opções ofensivas, e uma boa zaga, mas que é pouco ajudada pelo meio-campo. Mesmo assim, talvez a camisa "pese" e o Brasil se imponha, apesar das deficiências no ataque. Os suíços acabaram de fora, até pela incompetência ofensiva, já que se manteriam no confronto se tivessem feito dois gols em Honduras. Mas isso seria injusto aos chilenos.

Espanhóis e portugueses farão outro duelo europeu, como muitos já aguardavam. Os espanhóis tem mais qualidade no elenco e mais opções de jogo, mas o time português sabe se defender bem e não tomou nenhum gol até aqui. O técnico português montou bem a equipe, congestionando o meio-campo e, até aqui, jogando de acordo com o adversário. A Espanha tem mais time, mas Portugal não vai deixá-la jogar. Outro confronto equilibrado.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Segunda Rodada

A segunda rodada foi bem melhor que a primeira. Destaque para os cinco sul-americanos!

Grupo A:  Uruguai e México fizeram ótimas partidas e largaram na frente na disputa da vaga desse que parece ser o grupo mais equilibrado. O Uruguai resolveu apostar em uma formação mais ofensiva, com quatro defensores e três atacantes, com Forlán servindo de ponta-de-lança. Funcionou bem, e a vitória da celeste foi mais do que merecida. Já a França decepcionou mais uma vez. É estranho. O futebol francês sofre de uma safra ruim, mas parece que Domenech insiste em escalar um time mais fraco do que poderia. O México manteve o esquema do jogo contra a África mas só criou mais oportunidades quando mudou os homens de frente.

Grupo B:  A Argentina fez outra ótima partida, dessa vez contra a fraca Coréia. Sem Verón parece que o time tem mais velocidade na saída de bola e na marcação. Está praticamente garantida nas oitavas, e praticando talvez o melhor futebol da Copa. Já a Grécia conseguiu um feito histórico ao vencer seu primeiro jogo em Copas do Mundo. Tudo graças à bobagem do volante africano Kaita, que foi expulso tolamente. O goleiro nigeriano também falhou em um lance de gol, mas ainda assim é um dos melhores do mundial. A Nigéria, aliás, ainda tem boas chances de se classificar na última rodada. Basta vencer a Coréia e torcer por uma óbvia vitória argentina contra os helênicos, que não devem ter condições de avançar.

Grupo C:  Esse grupo é o que traz maiores surpresas. A Eslovênia quase garantiu a vaga numa ótima disputa com os Estados Unidos. Ambas as equipes são arrumadas no meio-campo e têm bom toque de bola. Problemas para uma das maiores favoritas, a Inglaterra. A equipe inglesa ainda não se encontrou na competição e não conseguiu vencer a fechada Argélia. Vai precisar de uma vitória na última rodada e certamente terá dificuldade. Não se sabe se o problema dos ingleses é somente físico, ou também emocional, agravado pela falha do goleiro Green, mas não é a primeira vez que essa mesma geração, comandada por Lampard e Gerrard, decepciona (ao menos até agora) em uma Copa do Mundo.

Grupo D:  A Sérvia recuperou-se muito bem do desastre da partida de estréia. O treinador trocou os jogadores inócuos da primeira partida e os sérvios conseguiram tocar melhor a bola. A Alemanha não jogou mal, mas não conseguiu criar muitas oportunidades frente à forte linha de quatro da defesa sérvia. A expulsão de Klose e o pênalti perdido por Podolski também atrapalharam e podem complicar a vida dos germânicos na Copa. A questão é que o time de Gana decepcionou mais uma vez, embora continue invicto na competição. Os ganeses se aproveitaram da marcação de um pênalti duvidoso contra a Austrália, que jogou uma boa partida, e que tinha um meio-campo mais arrumado. Apesar de o time africano ter jogado quase que o jogo todo com um homem a mais, ficou segurando o empate. Sendo assim, os alemães devem se classificar contra Gana, e talvez a outra vaga fique para a Sérvia. Ao menos seria o mais justo.

Grupo E:  A Holanda continua bem na Copa. Chegou a ter oitenta por cento de posse de bola contra os japoneses, mas tinham dificuldade de vencer a barreira nipônica. Só conseguiu no segundo tempo, com chute de fora de Sneijder, uma ótima arma para o time laranja. O Japão vai para o último jogo tentar a vaga contra a Dinamarca, que, na melhor partida da Copa até aqui, derrotou a seleção de Camarões. Foi um grande jogo, até porque os camaroneses entraram com uma formação de mais qualidade técnica, e enfrentaram uma Dinamarca bastante ofensiva. Ambas as equipes mereceram ir mais longe na Copa, mas os africanos já estão fora da Copa após a derrota por 2 a 1, após uma partida de muitas alternativas.

Grupo F:  Um grupo muito complicado. A Nova Zelândia continua surpreendendo e conseguiu segurar a ainda pouco criativa Itália. Aliás, Lippi deveria entrar com Pazzini ou Di Natale desde o começo para abrir mais o jogo pelas pontas, talvez a única alternativa para uma equipe que ainda ressente muito a falta de Pirlo. Por fim, destaque para a boa partida do Paraguai que, sem ser brilhante tecnicamente, está fazendo uma boa Copa e venceu os eslovacos. A Eslováquia ainda tem chances, mas seus dois jogadores de qualidade no meio-campo não se entenderam ainda: Hamsik e Weiss.

Grupo G: O Brasil fez uma ótima partida contra o time de Drogba. O jogo, que garantiu a classificação ao time de Dunga foi marcado por muitas jogadas violentas e erros de arbitragem. Luis Fabiano fez dois golaços, mas um deles foi irregular, por ter dominado com o braço. Já Portugal também está quase garantido após se aproveitar das falhas da defesa norte-coreana e fazer a maior goleada da Copa: 7 a 0.

Grupo H: A Espanha se recuperou bem da derrota na estréia e venceu por 2 a 0, embora perdesse muitas outras chances de golear. Honduras está praticamente fora. Chile e Suíça fizeram uma partida empolgante de ataque contra defesa. Os chilenos mostraram novamente um futebol ofensivo muito bonito e conseguiram furar o bloqueio forte dos suíços. Infelizmente não se sabe se as duas seleções de maior qualidade técnica do grupo irão passar para as oitavas, já que a Suíça ainda tem grandes chances de classificar, pois pega Honduras no último jogo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Primeira Rodada

A primeira rodada da Copa decepcionou os amantes do bom futebol. Jogos de muita marcação, pouca criatividade e poucas jogadas de gol. É normal que muitas equipes venham fechadas para o primeiro jogo, com medo de perderem e terem sua vida dificultada no restante da competição. Daí o grande número de empates. Outro fato que chamou atenção foram os excessivos erros nos cruzamentos, lançamentos e chutes a gol. Aí entraria também o fator "Jabulani", a nova bola, com a qual os jogadores não tiveram tempo ainda de se acostumarem.


No grupo A, um grande equilíbrio. Parreira foi bem nas substituições, acertou os problemas no lado esquerdo e conseguiu equilibrar um jogo que parecia do México. Surpreendeu a todos arrancando um empate. Os mexicanos ainda devem melhorar no torneio, pois têm potencial para tanto, mas Vela e Franco precisam aparecer mais. Na partida entre os campeões Uruguai e França houve muito equilíbrio, e a certeza de que a França não deve ir muito longe, pois depende unicamente de Ribery.

No grupo B, uma boa partida da Argentina. Ótima atuação de Messi, em uma posição diferente da que se esperava. Jogou totalmente livre pelo meio, numa posição semelhante à de Maradona em 86. Mas Verón errou muitos passes, o que não é normal, e no setor defensivo a Argentina demonstrou fraqueza, sobretudo no lado direito. A Nigéria tem uma defesa forte mas um meio-campo sem criatividade, o que pode atrapalhar. A Grécia talvez tenha sido o pior time da primeira rodada. Erra muitos passes e não mostrou a defesa sólida que prometia. Melhor para a Coréia, que imprimiu velocidade e pode ficar com a segunda vaga do grupo.

O grupo C teve uma partida interessante entre EUA e Inglaterra. Os ingleses não conseguiram vingar a derrota de 1950. Mostraram nervosismo e falta de condição física para superar a eficiente barreira americana no meio-campo. Persistem aos britânicos alguns problemas em certas posições, como na meia-esquerda, em que ninguém se firmou ainda. No gol então, nem se fala. Green tomou um dos maiores frangos da História das Copas, o que acabou com a moral do time de Capello. Por fim, um jogo equilibrado entre duas equipes arrumadas mas pouco criativas, Argélia e Eslovênia.

O grupo D trouxe a maior esperança de bom futebol na Copa. Os alemães conseguiram montar um time muito competitivo, apesar das inúmeras ausências por contusão. É verdade que o adversário não era fortíssimo e tinha problemas de posicionamento no meio-campo, mas a equipe alemã trabalhou muito bem a bola e já revelou ao Mundo a categoria de Özil, como já se previa. Por fim, Sérvia e Gana fizeram uma partida muito defensiva, e decepcionaram a todos, já que havia uma expectativa para um bom jogo. Os sérvios precisam fazer alterações se quiserem ir adiante.



No grupo E, a Holanda manteve o favoritismo. Jogou uma excelente partida contra os dinamarqueses, tocando bastante a bola, num estilo que lembrou muito a Holanda de 98. A Dinamarca fez um jogo duro e mostrou qualidade no meio-campo, mas ainda precisa acertar no ataque, já que Bentdner não está em boas condições físicas. De resto, o Japão mostrou um futebol muito fraco, mas surpreendentemente conseguiu bater a pouco criativa seleção de Camarões.

O grupo F é talvez o mais fraco. A Itália mostrou que não deve ir muito longe, já que a ausência de Pirlo faz uma enorme falta ao meio-campo. O Paraguai esteve melhor em alguns momentos da partida, mas não chegou a criar muito. A decepção foi a Eslováquia, que não conseguiu fazer um placar mais elástico contra a fraca Nova Zelândia e acabou tomando o empate no finalzinho, o que lhe pode custar a vaga.

O grupo G é o do Brasil. Portugal e Costa do Marfim decepcionaram também. Fizeram um jogo de muita marcação e parecia que ambos preferiram o empate. No entanto, deu a impressão de que as duas seleções darão muito trabalho para o Brasil, sobretudo os africanos. A seleção de Dunga teve um desempenho satisfatório. Já se sabia que teria dificuldades em passar por uma equipe fechada, como a da Coréia do Norte, mas as movimentações de Robinho e Elano serviram para conseguir os três pontos. Destaque negativo para a fraca participação de Kaká, ainda em fase de recuperação.

No grupo H tivemos a primeira zebra da Copa do Mundo. A Suíça soube se defender e conseguiu bloquear os ataques da Espanha. Faltou aos espanhóis um pouco de sorte, e também faltou finalizar mais a gol, especialmente no primeiro tempo. Por fim, o Chile mostrou um futebol ofensivo, talvez o mais ofensivo da primeira rodada, ao lado da Alemanha. Foi para cima dos velozes hondurenhos e conseguiu os três pontos, apesar de um placar magro. É um grupo ainda totalmente indefinido.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Perspectivas Copa 2010

Agora faltam poucas horas para o início do Mundial. Então, é o momento de se preencher o famoso "bolão" e de fazer as previsões e uma breve análise de todas as 32 equipes.

Primeiramente, os favoritos.
  • BRASIL:  Favorito pela tradição e pelo retrospecto recente (campeão da Copa América e Copa das Confederações, além de bons resultados em amistosos). No papel, a equipe não convence muito, pois faltam jogadores de talento, sobretudo no meio-campo. Outro problema é que pegou uma chave difícil, e pode se complicar por isso.
  • ESPANHA: Desde 1962 não é tão favorita quanto agora. Tem o melhor time, em todos os setores. Atual campeã européia. Não dá para desprezar um meio-campo que tem Fábregas, Xavi e Iniesta. Nem um ataque com Torres e Villa.
  • INGLATERRA: Perdeu por contusão seu principal defensor, Rio Ferdinand, e um dos seus maiores astros, David Beckham. Mas ainda assim, é muito forte: Gerrard, Lampard, Joe Cole, Lennon, Terry e, especialmente, Rooney. Ao que tudo indica, o técnico italiano Capello conseguiu entrosar esses craques, nesta que pode ser a última chance dessa geração.
  • ARGENTINA: Também sempre favorita pela tradição. Impressiona pelo poderio do seu ataque: Messi, Tevez, Higuain, Milito e Agüero. De resto, o técnico Maradona parece que ainda não encontrou a melhor formação na defesa, o que pode atrapalhar. Está em um grupo aparentemente fácil.
  • ALEMANHA: Talvez o melhor time da última Copa. O problema é que, por uma série de motivos, não manteve a base do Mundial anterior, e agora está com problemas para montar uma equipe entrosada. Talvez a equipe fique pronta apenas durante o torneio. A vantagem é que tem uma série de jogadores jovens habilidosos que podem surgir para o Mundo agora e levar longe a Alemanha: Kroos, Marin, Müller, Kiessling e Ozil.
  • HOLANDA: Time muito forte, sobretudo na parte ofensiva. Alguns jogadores holandeses fizeram excelente temporada, como Sneijder e Robben. A condição física desse último é o que preocupa. Time veloz e técnico. Pode pegar o Brasil nas quartas e tem chances de avançar. Fez ótimas Eliminatórias e amistosos de preparação.
Sinceramente, não conseguimos imaginar que o campeão mundial de 2010 seja outra equipe além destas seis. Isto porque a França tem demonstrado um futebol muito fraco, em relação a outras épocas - salvo pela habilidade de Ribery. A Itália tem um bom treinador mas não conseguiu ainda a renovação desejada, e também não tem time definido para a Copa. Parece que os últimos finalistas não conseguirão obter êxito em 2010. No entanto, em um torneio curto, podem surpreender, até por serem seleções de grande tradição.

Quanto às demais seleções européias, destaque para Portugal, que já não tem o mesmo time de alguns anos, mas tem a categoria de jogadores como C.Ronaldo e Deco. Talvez seja pouco para ir muito longe. Já a Dinamarca tem uma equipe envelhecida na frente (Rommedahl, Jorgensen, Gronkjaer), logo não assusta muito. Sua defesa é mais jovem e forte, o que pode fazê-la disputar a segunda vaga de seu grupo. A Suíça e a Grécia somente chegaram longe porque pegaram um grupo fraco nas Eliminatórias. Apesar da tradição suíça em jogar fechada (o famoso "ferrolho"), não se sabe se conseguirá segurar o ataque de seus adversários da primeira fase. A Grécia tem como vantagem o fato de ter uma equipe entrosada e com jogadores que finalizam bem de longe. Destaque também para as seleções do Leste Europeu, que sempre fazem boas campanhas. Sérvia e Eslováquia tem time para irem longe. A Sérvia é dona de boa defesa e a Eslováquia tem jogadores habilidosos no meio, como Hamsik. A seleção européia mais fraca seria a Eslovênia, que conseguiu a façanha de eliminar a poderosa Rússia de Arshavin, por meio de um bom desempenho defensivo.

Nas Américas, destaque maior para México e Chile. Ambas as equipes são muito entrosadas e tem jogadores jovens e habilidosos. No México, a seleção que está há mais tempo concentrada para a Copa, se encontram alguns dos candidatos a revelação da Copa, como Vela e Giovanni. No Chile, Mark Gonzalez e Matias Fernandez são alguns dos destaques, além do já conhecido Valdivia. Uruguai e Paraguai são outras seleções que também estão se preparando muito, e que devem dar trabalho. No caso do Uruguai, alguns valores individuais sobressaem, como Forlán e Suárez. Os Estados Unidos são apontados como favoritos a segundo colocado no grupo da Inglaterra, fruto da boa campanha na Copa das Confederações e do bom entrosamento do elenco. Honduras seria o time americano mais fraco, e será surpresa se pontuar.

As equipes africanas esperam fazer boa campanha, nesta que é a primeira Copa na África. Costa do Marfim é a seleção mais forte, pelo menos no papel, já que tem jogadores em grandes clubes europeus. Pode passar de fase. Gana perdeu seu principal jogador, Essien. Camarões, a seleção de Eto'o e a Nigéria de Martins se equiparam à equipe de Gana em termos de qualidade. Dessas, a que teria mais chance de chegar às oitavas é a Nigéria, por ter caído num grupo mais fácil. Mas todas as três são boas representantes do futebol africano, de muita força e velocidade. Argélia e África do Sul não devem, a princípio, fazer boas campanhas, já que os seus elencos são muito limitados. Mas a equipe da casa está se preparando para não dar vexame, e tem um técnico campeão mundial, Parreira.

Os três asiáticos - Coréia do Sul, Japão e Coréia do Norte - vão para a Copa sem muitas expectativas. Já tiveram equipes melhores e mais competitivas e torcem para conseguirem uma vaga se aproveitando de falhas dos adversários. Quanto à Austrália, é uma seleção muito envelhecida, mas de grande entrosamento. Por fim, a Nova Zelândia talvez seja a seleção mais fraca, tendo em vista o que mostrou na Copa das Confederações.

Dando uma analisada breve nas equipes, resta agora esperar pelo começo do grande evento esportivo. Assim que terminar a primeira rodada, escreveremos aqui novos comentários.

domingo, 6 de junho de 2010

Time dos sonhos de quem está fora da Copa

Toda Copa do Mundo é a mesma história. Jogadores que são preteridos nas convocações e jogadores que se machucam um pouco antes do início do torneio e são cortados. No entanto, acho que não houve uma Copa do Mundo com tantos desfalques como essa de 2010, especialmente com relação às contusões. Dá para formar um verdadeiro time dos sonhos. Será que a temporada européia foi muito pesada? Ou é azar mesmo?

Para começar, as notícias fora das quatro linhas que causaram comoção no mundo todo, como o suicídio do goleiro alemão Enke e o tiro que o atacante paraguaio Cabañas levou. Mais tarde, foi a contusão grave que sofreu um dos maiores astros do futebol mundial, David Beckham, e que passava por um bom momento de sua carreira. Nas últimas semanas, choveram notícias tristes de jogadores que não irão disputar o mundial, ou então que são dúvida.

A França perdeu Lassana Diarra. A Nigéria, Obi Mikel. A Inglaterra, além de Bechkam, perdeu seu melhor zagueiro, Rio Ferdinand. A Alemanha perdeu Westermann, Adler e seu maior craque, Michael Ballack. A Sérvia perdeu Dragutinovic. Gana perdeu seu maior craque, Essien. Por fim, três dos maiores jogadores da última década são dúvidas para a Copa: Robben da Holanda, Pirlo da Itália e o marfinense Drogba. Péssimo para o futebol.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Copa do Mundo, IDH e GINI



A idéia agora é de relacionar os dados sociais dos 32 participantes da Copa. Ou melhor, de trinta deles, já que não estão disponíveis os dados de Coréia do Norte e Sérvia. O resultado é muito interessante, não há dúvidas. Vejamos.

IDH dos países que irão disputar a Copa 2010


002 Austrália 0,970
006 Holanda 0,965
008 França 0,961
009 Suíça 0,960
010 Japão 0,960
013 EUA 0,956
015 Espanha 0,955
016 Dinamarca 0,955
018 Itália 0,951
020 N Zelândia 0,950
021 Reino Unido 0,947
022 Alemanha 0,947
025 Grécia 0,942
026 Cor. do Sul 0,937
029 Eslovênia 0,929
034 Portugal 0,909
042 Eslováquia 0,880
049 Argentina 0,866
050 Uruguai 0,865
053 México 0,854
075 Brasil 0,813
101 Paraguai 0,761
104 Argélia 0,754
112 Honduras 0,732
129 Áf. do Sul 0,683
152 Gana 0,526
153 Camarões 0,523
158 Nigéria 0,511
163 C do Marfim 0,484


Índice GINI dos países que irão disputar a Copa 2010

001. Dinamarca 0,247
002. Japão 0,249
006. Eslováquia 0,258
011. Alemanha 0,283
012. Eslovênia 0,284
020. Holanda 0,309
023. Cor do Sul 0,316
026. França 0,327
032. Suíça 0,337
035. Grécia 0,343
043. Espanha 0,347
044. Austrália 0,352
045. Argélia 0,353
047. Itália 0,360
049. Reino Unido0,361
050. N Zelândia 0,362
056. Portugal 0,385
071. Gana 0,407
073. EUA 0,408
084. Nigéria 0,437
086. Camarões 0,446
087. C do Marfim0,447
088. Uruguai 0,449
091. México 0,461
107. Argentina 0,513
112. Honduras 0,538
113. Chile 0,549
116. Brasil 0,570
118. Áf. do Sul 0,578
119. Paraguai 0,584

IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano. Leva em conta dados econômicos e sociais dos países, tais como taxa de analfabetismo, renda "per capita" e expectativa de vida.


Índice GINI avalia a distribuição de renda de um país, sendo que quanto menor o índice, menor a desigualdade social.

Pelos dados dos países que irão disputar a Copa, percebemos que aqueles da África Subsaariana são os piores no ranking de IDH. Um pouco acima deles estão os latino-americanos. Países europeus, asiáticos e da Oceania encabeçam o ranking. Analisando os índices de distribuição de renda, chama a atenção o fato de os países do leste europeu estarem bem classificados - seria ainda um resquício do regime socialista? Interessante notar também a ruim classificação dos EUA, país de maior PIB, mas que não consegue distribuir a renda de maneira satisfatória. Quanto ao Brasil, só fica na frente de África do Sul e Paraguai.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Outras pré-listas e a temporada 09-10

As listas definitivas de convocados para a Copa serão conhecidas apenas na primeira semana de junho, mas as pré-listas divulgadas semana passada já trazem uma idéia do que será o torneio. Como já comentamos a lista de Dunga, vamos falar um pouco a respeito das demais candidatas ao título. Espanha, Inglaterra, Itália, França e Holanda estão com sua força máxima, já que a ausência de Benzema não chega a ser relevante e a de Beckham já era esperada, pela grave contusão que infelizmente sofreu. Cabe dizer algo a respeito da Argentina de Maradona, em cuja lista não constam jogadores que parecem indispensáveis, como Zanetti e Cambiasso. Outro nome que parece faltar na Copa é o do alemão Frings.

No entanto, a maior ausência da Copa até aqui não é Beckham, nem Ronaldinho, muito menos Cambiasso. Uma entrada criminosa de um jogador ganês do Portsmouth no último jogo da temporada tirou ninguém menos do que Michael Ballack da que seria sua terceira e última Copa do Mundo. Detalhe: Gana enfrentará a Alemanha na fase de grupos. A violência teria sido premeditada? Um jogador que fará muita falta ao meio-campo do time alemão, ainda mais sabendo-se que Frings também não estará relacionado.

Por fim, há que se comentar sobre a grande final da Champions League, marcada para esse sábado. O Bayern superou todas as expectativas do início da temporada, e, comandado por Robben e Ribery tem chance de conquistar a tríplice coroa. A Internazionale, comandada por Cambiasso e Sneijder também pode conseguir esse feito ainda inédito para clubes italianos e alemães. Inter e Bayern dominaram os campeonatos nacionais e acabaram encerrando uma predominância dos clubes ingleses nos últimos anos na final da Champions. Não há favorito para o jogo de sábado. O que se sabe é que o Mundo vai parar para assistir ao primeiro aperitivo para a Copa 2010.

sábado, 15 de maio de 2010

A lista de Dunga


Poucas vezes o público recebeu tão mal uma convocação de Seleção Brasileira. Sempre há controvérsias quanto a um jogador ou outro, sempre se critica a falta de algum jogador em específico (como Romário em 2002), mas não sei se alguma vez uma lista de 23 tem tantos nomes diferentes da vontade da maioria.

Dunga está fazendo um ótimo trabalho, tendo em vista os resultados durante o tempo em que está à frente da equipe, e também se considerarmos que o futebol brasileiro não está em um momento muito bom. A safra atual é mesmo um pouco fraca se comparada com a de Inglaterra, Espanha e Alemanha. Ainda assim, o Brasil venceu a Copa das Confederações, fez ótima campanha nas Eliminatórias e em amistosos contra seleções fortes.

Não há o que se reclamar dos zagueiros chamados. Não há o que se reclamar do goleiro titular e do reserva escolhidos (Julio Cesar e Gomes). Não há o que se reclamar dos laterais direitos escolhidos. Até aí, perfeito.

Quanto à lateral esquerda, pode haver dúvidas. Marcelo do Real Madrid e Fabio Aurélio do Liverpool poderiam ser boas opções, mas até aqui ainda não há muito o que se criticar. O problema é o meio-de-campo, justamente aquele setor em que Dunga jogava tão bem. Deixemos, então, o meio-de-campo para analisarmos por último.

Para o ataque, Luis Fabiano, Robinho e Nilmar são escolhas óbvias. O quarto atacante é que não parece ser jogador para Copa do Mundo, mas tem um estilo de jogo que pode ser útil em alguns casos. Na verdade, Dunga convocou jogadores pensando objetivamente em quem poderá ser útil à Seleção. Na raça, no empenho, na parte física e na parte emocional.

No que diz respeito ao meio-campo, isso se aplica direitinho. Sete oitavos dos meio-campistas são volantes, e possuem essas características. Esqueceu-se, porém, de que o torcedor também quer ver talentos individuais e habilidade. E de que às vezes isso é fundamental numa Copa do Mundo. Há que se pensar também na parte técnica.

Quem deveria estar na lista? Ganso, sim. Ronaldinho, sim. Mas se Dunga não quis chamar o "ex-bola de ouro" por motivos pessoais, ou não queria arriscar em chamar um novato, no mínimo tinha obrigação de convocar Diego da Juventus ao invés de Julio Batista ou de Josué, para dar pelo menos mais uma opção criativa à equipe.

Tudo isso será que é porque em 1994 o Brasil foi campeão de um jeito parecido, sem ninguém para criar no meio? Um dos times campeões mais fraquinhos de todos os tempos, diga-se de passagem.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Próximas postagens

De maio a julho, o blog falará apenas de Copa do Mundo. A próxima postagem é sobre a convocação de Dunga. Mais para frente, serão feitos comentários a respeito das outras 31 seleções. Um pouco antes da Copa começar, publicaremos uma espécie de previsão do que pode acontecer. A cada final de rodada ou de fase, uma nova postagem a respeito do que aconteceu. Essas serão as próximas postagens, e os demais assuntos voltarão à pauta somente depois de julho.