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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Por uma nova década

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Está começando uma nova década. Esperamos todos que, nesta nova década, as pessoas coloquem em primeiro plano valores como honestidade, fraternidade, lealdade, respeito ao próximo, humildade, sinceridade e, acima de tudo, coragem. Coragem para não aceitar injustiças, corrupção e desrespeitos aos direitos humanos.

Que nesta nova década, o modelo de escola fique distante do modelo da "escola-quartel" ou da "escola-prisão". Que a escola mantenha suas funções conteudísticas, mas que também seja local de libertação e reflexão. Que o professor seja mais valorizado, e que toda a sociedade civil se preocupe em melhorar a qualidade da nossa educação.

Que todos continuem entrando no Educaforum e também que todos leiam esse texto.

Que nesta nova década as crianças assistam a menos TV e joguem mais bola nas ruas e parques.

Que nesta nova década, os novos modelos de família sejam aceitos com respeito à diversidade.

Que na nova década possamos encontrar mecanismos para acabar com o chamado "espetáculo" da mídia.

Que na nova década os pais tomem mais cuidado com a educação de seus filhos e dêem menos importância a seus próprios egos.

Que as pessoas leiam mais livros.

Que na nova década encontremos mecanismos para acabar com a desigualdade social no Brasil. Que haja melhor educação, saúde, segurança, esporte, lazer, cultura, ciência, enfim, qualidade de vida.

Que na nova década acabem as políticas públicas de caráter higienista.

Que na nova década consigamos encontrar meios para diminuir o caos notrânsito e busquemos alternativas com a ajuda de especialistas da área de urbanismo. Que a pesquisa, ciência e tecnologia sejam prioridades, para superarmos décadas de atraso.

Que na nova década as pessoas sejam mais humildes!

Que as pessoas saibam pesquisar, ler, criticar e refletir melhor sobre tudo o que encontram na Internet e TV.

Que na nova década o futebol e os demais esportes estejam mais voltados ao lazer, à saúde e à arte, e deixem de ser instrumentos de corrupção e política. Que continue o campeonato por pontos corridos, e que os brasileiros procurem usar a Copa do Mundo e as Olimpíadas que virão para criar alternativas para superar nossos problemas, como a desigualdade social e a péssima infraestrutura.

Que na nova década as pessoas tenham mais coragem para exigir um comportamento decente dos órgãos públicos, sobretudo do Legislativo e Judiciário.

Que na nova década surjam mais políticas públicas de combate ao tráfico de drogas e crime organizado. Que na nova década diminua o número de pessoas dependentes de cigarro, bebidas e demais drogas. Que a saúde prevaleça.

Que na nova década, diminuam o rancor e a vingança, e a paz predomine.

Que o meio ambiente seja preservado.

Que na nova década, a cultura popular seja respeitada, e o "lixo" cultural seja desprezado.

Que na nova década todos continuem entrando no "pouco de tudo" e no "pequenidades".

Que na nova década, as idéias divulgadas por Patch Adams tenham maior alcance, e que se busque mais harmonia em todos os setores da sociedade.

Que na nova década o terceiro setor aja com maior eficácia e respeito a todos, e não o faça por mero instrumento do capital.

Que na nova década, a música e a arte brasileira de qualidade volte a ser colocada em primeiro plano pela mídia.

Que na nova década, seja mais divulgado o movimento "bright", e que as pessoas se utilizem mais da razão para entender o Mundo.

Enfim, coragem para mudar.
Após três anos de postagens, o blog encerra-se por aqui. Boa Nova Década!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sobre Internet e cigarros

São, no máximo, cerca de 15 anos da popularização da Internet no Brasil. Muitas transformações já aconteceram em pouco tempo. Alguns aplicativos foram superados, outros se mantêm. Há alguns anos, só se conheciam os sites e e-mails. Surgiram newsgroups, chats, boards de discussão, sites de pesquisa, como Yahoo e Altavista, mais tarde superados pelo Google. Veio o ICQ, que depois seria superado pelo MSN. Mais tarde apareceram os Blogs, Flogs e Vlogs. Veio a Wikipedia, o Google Earth, o compartilhamento de arquivos no sistema P2P, o eBay, o Youtube, o Orkut (hoje praticamente superado pelo Facebook), o Voip, o Tweeter, entre outros.

(Apesar de eu ficar dias sem entrar na Internet e não usá-la com mais freqüência como instrumento de trabalho, não nego que ela se tornou um dos mais eficientes meios de comunicação e lazer.)

É óbvio que as conseqüências desse fenômeno são múltiplas, e ainda é difícil de se encontrar interpretações adequadas a respeito. Por exemplo: é comum ouvirmos sobre adolescentes que ficam o tempo todo na frente do computador. O mau desempenho escolar pode ser uma conseqüência disso? Difícil de se fazer uma análise assim simplista. Alguns jovens se informam sobretudo através da Net, e há também os que produzem blogs e vlogs muito interessantes. O vídeo a seguir é de dois adolescentes de São Paulo, e hoje tem mais de 600 mil visitas no Youtube. Eles falam sobre os prejuízos dos cigarros, numa linguagem propícia para os rapazes de sua faixa etária. Melhor que qualquer palestra de especialistas em uma escola. Um benefício que só a Internet pôde fazer - trazer uma mensagem como essas a seu filho ou sobrinho, algo que não se imaginaria há alguns anos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Skate na cidade

Nessa semana, três notícias envolvendo "skate". Para começar, a vitória do catarinense Pedro Barros, de 15 anos de idade, numa das modalidades do X-Games de Los Angeles, uma espécie de olimpíada de esportes radicais, desbancando grandes nomes desse esporte.

Nessas últimas semanas, surgiu uma informação a respeito de um projeto de lei de autoria do vereador Adolfo Quintas que visa a uma proibição do uso de skates nas calçadas da cidade. A multa seria no valor de 95 reais. Ao que tudo indica, esse projeto não vai adiante, até porque gerou um intenso debate e mobilização dos skatistas, inclusive da Confederação Brasileira de Skate. Preocupado com a repercussão negativa, o vereador recuou e a proposta talvez seja arquivada. O debate veio à tona também porque a administração do Parque da Independência, no Ipiranga, resolveu por em prática uma lei de 1988, da época de Jânio Quadros, que vetava skates e bicicletas no parque. Interessante notar que a prática do esporte no local é comum há anos e somente agora a lei foi "descoberta". Já existe uma proposta do vereador Dalton Silvano para acabar com a proibição e regulamentar a prática do esporte. O que se faz necessária é a criação de maior número de centros de lazer e convivência, com segurança e regulamentação adequadas, que abriguem os jovens skatistas.

Para os que são a favor da liberalização do skate ou demais interessados nessa manifestação cultural, está acontecendo também uma exposição gratuita de fotografias e vídeos no Espaço Matilha Cultural em São Paulo. São produções de artistas que exploram os skatistas e sua intervenção na metrópole.



sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cultura popular enviesada

Não precisa muito. Basta conversar com jovens de qualquer classe social. Ainda que você tenha uma mente aberta e liberal, não há como negar que os seus valores são cada vez mais deturpados. Afinal, já são pelo menos três décadas de mediocridade nas salas de aula da educação básica e de desprezo aos educadores. Pelo menos duas décadas de predominância de uma fraca programação televisiva. Cerca de duas décadas de uma espécie de "vamos liberar geral", com relação à produção cultural veiculada nos meios de comunicação. Resquícios de uma sociedade naturalmente contrária à censura vivida na época do Regime Millitar, mas que acaba, ainda que indiretamente, compactuando com manifestações populares no mínimo estranhas como o chamado "funk carioca".

Parece um discurso conservador, é claro. Mas vale lembrar que há alguns anos, mais precisamente em 1992, um cantor chamado Gabriel o Pensador teve uma música sua censurada porque dizia que estava feliz por ter matado o presidente (Collor, na época). Cinco anos depois, uma banda que se manifestava favorável à legalização da maconha, o Planet Hemp, foi presa durante um show por fazer apologia às drogas. Na época, discutia-se até que ponto tais manifestações deveriam ou não ser censuradas.

Hoje, a questão é realmente grave, e ninguém se mobiliza a respeito. Algumas letras de funk fazem exaltação direta ao crime organizado e são hits entre adolescentes. Vale a pena conferir a reportagem do "The Observer" de 2005 e constatar que nada mudou, ou se mudou foi para pior. É verdade também que os veículos de propagação da produção cultural (se é que podemos chamar isso de cultura) são hoje mais diversificados e difíceis de serem controlados. Mas o que mais chama a atenção é a falta de discussão a respeito.

Não é a censura que vai mudar alguma coisa, mas a criação de alternativas que possam substituir esses "lixos culturais". Nas salas de aula, nas igrejas, no terceiro setor, nos clubes e demais organizações da sociedade civil freqüentadas por jovens, há uma necessidade urgente de intervenção que promova o reestabelecimento de uma produção cultural, seja erudita ou popular, mas que não seja enviesada.

sábado, 17 de julho de 2010

Longe é um lugar que não existe

Pelo menos é assim para nossos colegas Marcão e Cris. Eles resolveram fazer mais uma de suas aventuras pelo Mundo afora. Uma viagem que está sendo programada há anos. Já saíram de São Paulo e começaram pela África do Sul. Depois, entre outros lugares, Egito, Oriente Médio, Índia, Sudeste Asiático, Oceania, Havaí, e terminando à Kerouac, atravessando de carro todo os Estados Unidos.

Para todos acompanharem esse trajeto, estão atualizando seus dois blogs. O do Marcão é o http://www.blogontheroad.com/ e o da Cris é o http://www.viajarcomgosto.com/. Cada um a seu modo, já que o Marcão é fotógrafo e produtor de cinema, e a Cris é chef de cozinha. Vale a pena conferir as histórias e as belas imagens.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ração Humana



Acho que muitos já tinham ouvido falar, mas eu ainda não. É a tal da ração humana, composta por diversos cereais como linhaça, trigo, aveia, quinoa, entre outros. Come-se como um complemento alimentar, no café-da-manhã, ou então à noite, acompanhada de sucos ou leite. A receita está na Internet. É só procurar. Parece interessante para regular o intestino e complementar os nutrientes básicos do organismo. Mas os especialistas dizem que o melhor mesmo é produzir a própria ração e não comprá-la pronta.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

456 anos

Mesmo com a violência, o trânsito, a poluição, deve haver ainda algo de mágico nessa cidade que faça as pessoas quererem ficar por aqui... O que será?



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desaparecidos






Por favor, se alguém puder ajudar, essas duas crianças estão desaparecidas desde sábado à noite (dia 07/novembro). Seus nomes: Filipe (13 anos) e Gustavo (9 anos). Passem essa mensagem a todos que puderem. Obrigado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Alienação parental

Está para ser aprovada no congresso uma lei que tipifica uma conduta que recentemente tem se tornado cada vez mais constante e comum: a chamada síndrome da alienação parental, ou simplesmente alienação parental.

Os pais se separam e começam a disputar a guarda dos filhos. Então, a mãe ou o pai (normalmente a mãe) manipula e condiciona os filhos para romperem os laços afetivos com o outro genitor, criando sentimentos de ansiedade e temor em relação ao ex-companheiro. Os casos mais freqüentes estão associados a situações onde a ruptura da vida em comum cria em um dos genitores uma grande tendência vingativa, engajando-se em uma cruzada difamatória para desmoralizar e desacreditar o ex-cônjuge e fazendo nascer no filho a raiva para com o outro. Esse tipo de comportamente está se tornando freqüente, e pode provocar sérios problemas futuros nos filhos e também no genitor que é vítima da alienação.

domingo, 11 de outubro de 2009

Parque Michael Jackson

Alguns já ficaram sabendo da notícia mas aí vai. Uma proposta esdrúxula, e já rejeitada, feita pelo vereador Agnaldo Timóteo: mudar o nome do Parque do Ibirapuera para Parque Michael Jackson e mandar colocar uma estátua do cantor, para atrair turistas do mundo todo. Não bastasse isso, o vereador do PR queria também que a Sala São Paulo passasse a homenagear o cantor falecido recentemente, mudando de nome também. Sim, porque a Osesp costuma mesmo executar esse tipo de música. Sem comentários...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Coca-Colas...



Está circulando já há algum tempo na Internet um email a respeito da Coca-Cola Zero, dizendo que as pessoas não devem mais consumi-la, pois seria muito prejudicial à saúde. Apesar de ser um "spam", ao que tudo indica, o conteúdo da mensagem tem um certo embasamento. Vejamos.

Em primeiro lugar, é fato que a Coca Zero que é distribuída no Brasil contém ciclamato de sódio, um composto proibido nos Estados Unidos há cerca de 40 anos (outro fato), já que algumas pesquisas dos anos 60 indicaram que a ingestão desse composto poderia aumentar a probabilidade de ocorrência de certos tipos de câncer - o que não ficou completamente provado até hoje.

O que se sabe é que a Coca Zero comercializada nos Estados Unidos não contém ciclamato de sódio, diferentemente da vendida aqui e nos demais países na América Latina, já que o ciclamato é um composto de baixo custo. Sabe-se também que o governo venezuelano proibiu a comercialização de Coca Zero já há algumas semanas, logo que foram divulgadas essas informações.

De qualquer maneira, você que não é diabético e pode consumir açúcar sem maiores problemas, na hora de tomar refrigerante, peça uma Coca-Cola normal. O que vejo de gente pedindo Coca Zero para se achar na moda é brincadeira. Pior que ainda têm coragem de dizer que é mais gostoso...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sobre o trânsito

"na medida em que o ser-aí é um ente que eu sou, e imediatamente é determinado como ser-com-os-outros, geralmente e em média não sou eu mesmo meu ser-aí, mas sim os outros; estou com os outros e os outros igualmente com os outros. Ninguém na cotidianidade é ele mesmo." (Martin Heidegger)



Talvez eu venha aqui defender uma opinião extremamente diferente da maioria, mas, enquanto transito pelas ruas da nossa metrópole - de carro, de ônibus ou a pé - há tempos penso sobre os malefícios da película de "insulfilm". Não sei se às vezes exagero, mas chego a pensar que houve uma espécie de "lobby" muito bem feito para que, de uma hora para outra, todas as pessoas (e até hoje encontro raríssimas exceções) resolvessem aderir a esse acessório. Deixando a questão estética em segundo plano, não encontro argumentos que comprovem a necessidade do "insufilm". Afinal, nada garante que pessoas em carros com "insufilm" sejam menos propensas a serem assaltadas. Além do que a diminuição na visibilidade atrapalha demais o trânsito - e não são apenas aqueles que estão dentro do carro "filmado" que são os prejudicados, mas o risco de acidente aumenta para todos, sejam motoristas ou pedestres. Mas é estranho como não adianta discutir certas questões, porque parece que se tornam consenso de uma hora para outra, e não há como mudar.

sábado, 19 de setembro de 2009

Para falar sobre.. moda!?



Não entendo nada do assunto. Só sei que ouvia sempre dizer há uns dez, quinze anos, que os adolescentes, no que diz respeito ao modo de se vestir, dividiam-se em dois grandes grupos. Os "playboys", também conhecidos por "mauricinhos", ou simplesmente "boys", de um lado, que usavam roupas de marca e seguiam um estilo mais conservador e "bonitinho". Seu correspondente feminino seriam as "patricinhas", ou "patys". De outro lado, ficavam os mais diversos grupos alternativos, como os "hippies", "punks", "clubbers", "grunges", e destacavam-se também aqueles que faziam um estilo malandro e largado, os chamados "manos".

No geral, as coisas não mudaram muito nos últimos anos. Apareceram os "indies" e os "emos", além dos "otakus". O que se viu, no entanto, foi que muitas dessas tribos hoje perderam um pouco da sua identidade. Sim, porque o que sempre caracterizou esses grupos alternativos foi o fato de não usarem roupas de "grife" e abominarem qualquer tipo de marca, sobretudo as estrangeiras. Pelo menos era a idéia que eu tinha a respeito.

Recentemente, estou notando o contrário, no entanto. Especialmente no que diz respeito às tribos que, em geral, chamamos de "manos". O que vemos são inúmeras marcas de roupa que os vestem. E, ainda por cima, o preço é alto. Hoje, vejo moleques de classe inferior gastando a pouca grana que têm para comprar roupas de marca. Ou então, são moleques de classe média gastando uma fortuna para se vestir como "manos" e "pagar de malandro".

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Feriado

Feriado. Dia de escrever no blog. Falar dos acontecimentos que atingem o globo, como a gripe suína? Ou de acontecimentos importantes em âmbito nacional, como a discussão entre os ministros do STF? Poderia também lembrar que há quinze anos atrás morria um grande ídolo brasileiro, Ayrton Senna.

No entanto, prefero hoje falar de notícias que li recentemente sobre São Paulo. Uma boa, outra ruim. A boa notícia é que saíram alguns dados recentes sobre a Fundação CASA, antiga FEBEM. Neste ano, o número de rebeliões e fugas diminuiu em mais de 70 por cento. Coincidência, ou houve uma ação nesse sentido? Parece que, finalmente, após 15 anos de PSDB no governo do Estado, acertaram alguma coisa na FEBEM neste ano! Mudanças administrativas ocorreram: hoje caminha-se para uma descentralização das unidades e uma mudança em certos cargos de direção, sendo que alguns antigos diretores foram afastados. Interessante notar que as mudanças ocorreram todas de um ano para cá, e parece que já surtiram efeitos. Ou seja, não houve um planejamento de longo prazo. Se houvesse, então...

Uma outra notícia que diz respeito à sociedade paulistana não é boa. A população da cidade de São Paulo aumentou em 2% no ano de 2008. A população que mora em favelas aumentou em 4%, o que nos permite dizer que, infelizmente, as desigualdades se acentuam.

domingo, 15 de março de 2009

Patch Adams & Rubens Paiva

Vou postar um vídeo e um texto que me chamaram a atenção neste fim-de-semana. Como se poderá observar, eles não têm nada a ver um com o outro. No entanto, um olhar mais atento verá que se complementam perfeitamente.

Entrei em contato pela primeira vez, apesar de já ter ouvido falar anteriormente, com a entrevista dada ano passado pelo médico norte-americano Patch Adams (o mesmo que inspirou o filme de Hollywood) no Roda Viva, da TV Cultura. Vou colocar um trecho, mas o ideal é assisti-la por inteiro (tem no Youtube). Mais do que uma pessoa que procura trazer alegria para dentro do hospital e melhorar a relação médico-paciente, Patch Adams mostra ter uma visão ampla da sociedade atual, e traz idéias para transformá-la.



No sábado, saiu a coluna do Marcelo Rubens Paiva, no Estadão. Ao contar um pouco de sua infância no Rio de Janeiro, ele faz uma reflexão sobre a sociedade e política brasileiras dos últimos anos. Vale a pena ler e pensar a respeito de sua interpretação:

Aos 6 anos me mudei para o Rio de Janeiro. Meu pai fugia do estigma de paulista comunista inimigo da ditadura. Cassado e exilado dois anos antes, no Golpe de 64, voltou para o Brasil clandestinamente e imaginava ter menos visibilidade e mais oportunidades na Guanabara.

Moramos no Leblon, a três quadras da Favela do Pinto. Na época, o bairro não tinha o status de hoje. Havia a favela dentro e um conjunto popular que assustava a elite, a Cruzada, o primeiro do gênero - criado por Dom Hélder Câmara. Bacana era morar em Ipanema e Copacabana.

Jogávamos futebol na rua. Eventualmente o jogo era interrompido:"Olha o carro." A regra era parar imediatamente. Cada rua tinha um time, com moradores da favela. A maior glória era jogar no campinho de terra da Cruzada. Lá, havia torcida e o campeonato era definitivo.

Minha rotina era de uma paz que nunca mais encontrei. Vivia na ex-capital do país, mas era como se eu estivesse numa pacata vila.

Eu circulava pelo bairro de bicicleta. Muitas vezes, tinha de parar para cumprimentar e papear com os amigos. Nunca fui assaltado. Nunca sofri qualquer tipo de violência. Psicopatia social não estava em nossos dicionários.

Pulávamos o muro do Clube Paulistano, para jogar bola. Depois, dividíamos o milk-shake com os que não tinham dinheiro. Enfiávamos vários canudinhos num mesmo copo e contávamos até três. Sorte daqueles que, com bons pulmões, conseguiam sugar mais rapidamente o sorvete.

No domingo, lotávamos uma Kombi para ir ao Maracanã, assistir ao Flamengo de Fio Maravilha, time do bairro. Os pais se revezavam. O meu nos levou certa vez. Ficou surpreso com a quantidade de palavrões que conhecíamos.

Num dia de semana a praia amanheceu apinhada. Toda a favela correu para lá. Estavam chamuscados. Crianças choravam. Carregavam seus pertences. Na água, bonecas com fuligem. A favela tinha pegado fogo. Foram os militares, diziam. Até hoje pairam dúvidas. Viram helicópteros sobrevoando a favela na noite da tragédia.

O tumulto durou uns dias. Certa manhã, tomávamos café, e um grupo de moleques invadiu nossa casa. Não falaram nada. Foram pra geladeira e comeram com as mãos o que encontraram. Nem nos levantamos da mesa.

Enfim, foram removidos. O filme "Cidade de Deus" começa com os favelados chamuscados chegando à sua nova moradia, coincidentemente recém-inaugurada.

O terreno abandonado foi aterrado em tempo recorde. Em meses, subiram prédios de até 17 andares. Os apartamentos foram comprados exclusivamente por militares, que receberam empréstimos descontados diretamente da folha de pagamento (soldos). O condomínio, que se estende por grandes quadras, com uma praça no meio, recebeu o apelido de Selva de Pedra, em homenagem à novela da Globo que fazia sucesso.

A especulação imobiliária expulsou o democrático futebol de rua. Enviaram os pobres para os guetos. E o convívio pacífico virou poeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Famílias

Assim como acontece em relação às tecnologias digitais, nos últimos quinze anos as transformações que aconteceram nas famílias foram muito intensas e significativas.

Do mesmo modo que há quinze anos atrás ninguém usava celular ou navegava na Internet, a porcentagem de famílias nucleares (pai, mãe e filhos) era muito maior. Hoje, pode-se definir a família (numa definição bem simplória) como sendo um agrupamento de pessoas que se amam e, por isso, escolhem viver juntas, ao contrário da definição anterior, que pressupunha os laços sangüíneos.

Acontece que a família nuclear é uma novidade no mundo Ocidental. Chega a ser até uma instituição recente, resultado das transformações que ocorreram a partir da Revolução Industrial e das Revoluções Burguesas. Ou seja, coisa de 200 anos, no máximo.

O resultado dessas rápidas mudanças? A diversidade! Aumento do número de adoções, de famílias extendidas, pessoas morando sozinhas, crianças com duas famílias, além da criação da guarda compartilhada, entre outros. Para falar a verdade, sempre achei mais interessante a diversidade...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

São Paulo, 455 anos

Neste domingo, celebram-se os 455 anos da cidade de São Paulo. Teremos, como sempre, algumas programações culturais sendo oferecidas, mas parece que, neste ano, serão menos opções do que de costume. Reflexos da crise? Ou já é um pequeno sinal de quatro anos de mandato sem grandes motivações de mudanças? Nem o bolo do Bixiga!

Paciência. Talvez isto não seja tão relevante. De qualquer maneira, cabe comentar sobre o mural que está sendo feito pelo artista plástico Kobra e será inaugurado neste domingo. Trata-se do maior mural em grafite numa via pública da cidade, e foi feito com recursos do próprio artista e sob autorização da Prefeitura. A idéia é mostrar imagens da São Paulo do início do século XX. Interessante!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ainda sobre a guerra

Não apenas para tentar trazer algumas outras informações sobre o confronto interminável na Palestina, mas também para motivar uma reflexão sobre a natureza humana, vai o seguinte texto:

"Estudantes israelenses presos por rejeitar alistamento pedem ajuda

No dia 18 de dezembro de 2008 foi iniciada uma campanha mundial em apoio aos estudantes israelenses presos por rejeitarem o alistamento no exército, por objeção de consciência. Os Shministim defendem um futuro de paz entre israelenses e palestinos e criticam a ação de seu país nos territórios ocupados. Eles esperam receber centenas de milhares de mensagens de apoio que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel.

Redação - Carta Maior

Os Shministim são jovens estudantes israelenses, todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau. Eles recusam o alistamento no exército de Israel por objeção de consciência. Estão presos por isso. Esses estudantes defendem um futuro de paz para israelenses e palestinos e negam-se a pegar em armas. Além da prisão, enfrentam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. No dia 18 de dezembro foi iniciada uma campanha mundial pela libertação desses jovens.

Os Shministim pediram ao grupo "Jewish Voice for Peace" para buscar pessoas em todo o mundo para pressionar o governo de Israel. Eles esperam receber centenas de milhares de cartões que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel. Eles esperam representar não apenas os milhares que os precederam, não apenas os muitos jovens para quem eles são um exemplo, mas também querem representar pessoas de todo o mundo que querem a paz.
"

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Chaplin, Simpsons e Internet

Uns dias atrás, entrei em contato com um belo texto atribuído a Charles Chaplin. Lido e interpretado por uma atriz conhecida minha e de enorme talento, emocionou-me. Hoje, resolvi pesquisar na Internet o texto na íntegra simplesmente para publicá-lo no blog. Quem diria! O texto não era de Chaplin. É de um autor brasileiro que o escreveu recentemente e começou a repassar na Internet. Apenas na última frase ele citou um pensamento de Chaplin. Mas é a velha história do telefone sem fio. Alguém tirou as aspas, e acabou que o texto todo passou a ser atribuído a Chaplin. Coisas da Internet.

O bonito texto e a história toda está resumida neste site: http://comoutrosolhos.multiply.com/journal/item/56

É engraçado, mas o texto agora parece que perdeu um pouco do seu charme, já que não é mais atribuído a Chaplin, o que me fez lembrar de um episódio dos Simpsons. Aquele em que a Lisa faz uma pesquisa sobre o patrono da cidade, Jebediah Springfield, e descobre que ele é uma fraude. No final, não tem coragem de causar uma desilusão ou revolta geral, e acaba não contando a verdade.