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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Maluf de novo

Estavam todos achando que, com essa história de Ficha Limpa, pelo menos do Maluf íamos nos livrar. Não é bem assim. Leiam a notícia:

"A 7ª Câmara de Direito Público do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo cassou a decisão que condenou Paulo Maluf (PP) por improbidade administrativa em uma suposta compra superfaturada de frangos pela Prefeitura de São Paulo. A decisão revogada foi a que levou o deputado a ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral), que então anulou os 497 mil votos que ele recebeu nas eleições. Segundo o advogado de Maluf, Eduardo Nobre, essa decisão permitirá que o deputado vença recurso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a decisão do TRE-SP e fará com que ele seja diplomado como eleito nesta sexta-feira. O Ministério Público Estadual pedia a devolução do dinheiro aos cofres públicos ao acusar superfaturamento na compra de 1,4 tonelada de frango, em julho de 1996, por R$ 1,39 milhão, da empresa de sua mulher. O caso tornou-se um dos mais polêmicos envolvendo a gestão de Maluf."

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Rússia 2018 e Catar 2022

Piada de mau gosto? A escolha das sedes para as próximas Copas do Mundo reflete uma tendência das últimas décadas e parece que a fala de Andrew Jennings, jornalista inglês, como publicamos aqui, faz cada vez mais sentido. Ou alguém acha que o Catar tem melhores condições para sediar um evento desse nível do que a Austrália ou os Estados Unidos? O que se fala é em compra de votos descarada. Suspeita-se que a federação argentina, de Grondona, tenha sido beneficiada com alguns milhões desembolsados pelo próprio "sheik" árabe.

A questão não é apenas relacionada às condições econômicas, mas sobretudo aos problemas sociais que deveriam ser prioridades nesses países onde se resolveu sediar Copas do Mundo. Outra questão a ser levantada é o fato de que a Fifa, de um tempo para cá escolheu lugares onde sabe que o controle do destino do dinheiro público é precário. Pelo menos tem sido assim a partir dessa última Copa. Todo mundo sabe que na Rússia, desde o fim do socialismo, predominam as máfias e organizações ilegais. No Brasil, a corrupção está em todos os níveis.

Falando nisso, se chegou a hora de o Estado tomar uma posição mais forte no combate ao tráfico de drogas - esperamos que isso se mantenha - chegou também a hora de a sociedade como um todo tomar posições mais definidas no combate à corrupção. Isso não é apenas no âmbito do governo ou dos parlamentares, mas nas escolas, hospitais, ongs, empresas...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Estado contra-ataca

O que estamos observando no Rio de Janeiro é um contra-ataque do Estado, algo que já se previa há algum tempo. Aliás, ou o Estado reagia de alguma maneira logo, ou então a população iria continuar refém de um poder paralelo inadmissível. Veio a invasão policial, e agora a promessa é que isso tenha continuidade em outras áreas. Esperamos que sim. Outra promessa que tem de ser cumprida foi a do prefeito Eduardo Paes, que disse que depois da invasão policial (e militar) virá uma invasão social, por meio de educadores, assistentes sociais, profissionais da saúde. É importante que aconteça mesmo, e que outros grandes centros sigam o exemplo do Rio de Janeiro.

Agora, vendo as imagens das casas dos traficantes, encontradas no meio do morro do Alemão, vem a pergunta, nos moldes do filme "Tropa de Elite": quem acha que traficante tem consciência social? Quem acha isso é muito ingênuo...

sábado, 30 de outubro de 2010

Eleições presidenciais

A eleição de 1989, a primeira presidencial desde 1960, foi também a única da História do Brasil em que o segundo turno foi uma disputa entre direita e esquerda, nas acepções clássicas dos termos. Já falamos dela aqui. No segundo turno, a direita mobilizou-se em favor de Collor. Do lado de Lula ficaram outros partidos de esquerda - o PDT de Brizola e o PSDB de Mario Covas.

No entanto, para chegar ao poder, o PSDB resolveu aproximar-se da direita, e até hoje mantém uma aliança com um dos partidos mais conservadores do país, o DEM, antigo PFL. Assim, Fernando Henrique venceu as eleições de 94 e 98. O PT, após três derrotas, para conseguir chegar ao poder, buscou também alianças com partidos de direita, como o PL, hoje PR. Assim, Lula venceu em 2002 e 2006.

Sobre FHC e Lula, colocamos aqui há dois anos um texto que continua atual de uma jornalista da Folha.



Dilma e Serra fizeram um segundo turno com poucas novidades. A grande preocupação parece ser a comparação entre os oito anos de governo tucano e os oito anos de governo petista. Não sabemos se isso é o que deve determinar o voto, mas, caso seja, é inegável que economicamente o Brasil teve um desempenho muito melhor no governo Lula. A inflação manteve-se estável, as taxas de juros baixaram, o PIB cresceu, o dólar baixou e o salário mínimo teve aumento real. Indiscutível. Se alguém duvida da popularidade de Lula, não se podem desconsiderar esses números.

O que se pode discutir é se o país avançou suficientemente em outras questões importantes: meio-ambiente, infraestrutura, ciência e tecnologia, combate ao crime organizado, combate à corrupção, entre outros. Algumas dessas questões são mais difíceis de serem avaliadas que a economia, ou então demandam maior tempo e vontade política. Infelizmente, nenhum dos dois candidatos conseguiu convencer satisfatoriamente a respeito de suas propostas nessas áreas, até porque os planos de governo tornaram-se muito semelhantes.

Supõe-se que seja eleita a candidata da situação, apesar de seu desempenho ter sido pífio na campanha, já que alguém que representa um governo que tem oitenta por cento de aprovação tinha obrigação de ganhar no primeiro turno. Com Serra ou com Dilma, alguém se habilita a prever o futuro?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Eleições - 1° turno - Legislativo

Falamos exaustivamente que a eleição que importava era a do Legislativo. Pedimos exaustivamente para que os eleitores não escolhessem candidatos a esmo, sem antes pesquisar seu passado e suas idéias. Estávamos enganados. Não que não se devesse fazer isso. Acontece que tínhamos esquecido também que o sistema eleitoral brasileiro é bizarro. Quando se vota em um candidato, vota-se também, indiretamente, em seu partido e, o que é mais estranho, nos partidos coligados. A coligação precisa ter um mínimo de votos para conseguir vagas para seus deputados no Congresso. Isso cria absurdos.

Exemplo: no Rio Grande do Sul, Luciana Genro, do PSOL, teve mais de cem mil votos. Foi a oitava deputada mais votada. Como seu partido não fez coligações, não conseguiu atingir o mínimo de votos para ganhar representação na Câmara, e Luciana não foi eleita. Portanto, ainda que o seu Estado tenha direito a 31 deputados federais, Luciana Genro, a oitava colocada, não se elegeu.

Inúmeros são os exemplos de deputados pouco votados, mas que são “arrastados” pelos votos de seus coligados. Não dá para não se pensar em uma reforma política urgente que acabe logo com essas distorções. Opções são o voto em lista, ou distrital. Além disso, vale lembrar que seria importante separar a eleição do Legislativo da eleição do Executivo, para qualificar mais o debate.

Por fim, seguem tabelas com a composição atual do parlamento brasileiro – vale lembrar que os dados não são definitivos, já que ainda correm processos na Justiça quanto a candidatos impugnados. Interessante observar que um provável governo Dilma teria ampla maioria no Congresso, chegando próximo de uma maioria que possibilitaria reformas até de caráter constitucional. A pergunta é: “até que ponto isso é bom?”




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Chegada a hora

Daqui a três dias, é o momento alto da democracia: a escolha de nossos representantes, e hora de ouvir toda aquela baboseira de sempre a que todos estão acostumados, ano sim, ano não.

Quanto ao Executivo, pode até acontecer alguma mudança, mas nota-se que tanto na eleição presidencial, quanto na dos principais Estados, a situação vence, às vezes até com folga. Reflexo de um uso da máquina pública na campanha, ou reflexo de um otimismo geral da população na situação econômica e social?

A eleição que mais importa é a do Legislativo, como continuamos a insistir. Por isso, não vote em candidato "ficha-suja". São milhares de possibilidades na escolha para deputado, o que nos faz crer que é possível achar algum que se adeque às suas aspirações e ideologias. Insistimos: perca a noite de sexta ou de sábado em frente ao computador, analisando propostas e currículos de candidatos nos sites Excelências e TSE. Se não for perder tempo com isso, vote NULO.

Assim que terminar a apuração, faremos uma pequena análise dos resultados.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Faltam duas semanas

Faltam duas semanas para a eleição. As pesquisas mostram que Dilma mantém a liderança e pode ser eleita já no primeiro turno. A candidata apoiada pelo presidente Lula tem cerca de 50 por cento dos votos. Se fizermos uma análise das pesquisas de opinião sobre a popularidade do governo atual, podemos até concluir que a candidatura de Dilma, embora praticamente vencedora, é um fiasco. É que cerca de 80 por cento da população brasileira aprova o governo, o que nos faz concluir que milhões de eleitores, ainda que aprovem Lula, não votarão na Dilma.

Parece que o país vive uma euforia e otimismo muito grande quanto à economia, o que está se refletindo também nas eleições para governadores, nas quais os candidatos da situação são favoritos. A pergunta que não quer calar: será que está tudo tão bem assim? Ou algumas mudanças se fazem necessárias? Infelizmente, pela falta de conteúdo nos debates e propostas dos candidatos, é sempre difícil fazer qualquer análise. Com um pouco de força de vontade, no entanto, é possível.


Mais uma vez, não podemos esquecer de insistir que a eleição que realmente importa é a do Legislativo. Infelizmente, as pesquisas indicam que o Congresso estará representado por figuras esdrúxulas e incompetentes, em sua maioria, mais uma vez. Exemplos não faltam, mas é impossível não comentar que o deputado federal mais votado no país será provavelmente o bizarro palhaço Tiririca.

De qualquer modo, temos duas semanas para escolher as melhores propostas políticas. A sugestão é a seguinte. Entrem em sites que descrevam atuação de parlamentares em exercício e que tenham as propostas dos candidatos atuais. As dicas são o site Excelências e o site do TSE.

Percam algumas horas vasculhando tudo. Não vote em candidato que tenha contra ele qualquer processo. Dê preferência àqueles que propuseram leis sobre temas importantes e inteligentes. Dê preferência a candidatos que não trocaram muito de partido. Dê preferência a candidatos com ensino superior e vida pública ilibada. Você pode não acreditar, mas vai achar alguns com os quais se identifica. Se não, vote nulo!

sábado, 11 de setembro de 2010

Não à Copa do Mundo no Brasil !!


Andrew Jennings, jornalista britânico, esteve há algumas semanas no Brasil. O canal ESPN Brasil produziu uma ótima entrevista, que merece ser vista na íntegra. Estamos publicando aqui a primeira parte, mas o restante está no "Youtube".

Todos sabem que não gostamos de teoria da conspiração. Não é o caso. É importante olhar com atenção e se informar a respeito. Não é possível que alguém que assista ao vídeo continue favorável à realização de Copa do Mundo ou Olimpíada no nosso país. É hora de divulgar e iniciar uma campanha contra a Copa do Mundo no Brasil.

domingo, 5 de setembro de 2010

Eleição esdrúxula

A cada quatro anos acontece no Brasil uma eleição ampla, que envolve Legislativo e Executivo no âmbito federal e estadual. Já falamos aqui que a eleição para deputados e senadores deveria ser mais discutida e levada em conta pela população. Por isso, continuamos defendendo uma reforma que separe o pleito Legislativo do Executivo, até para deixar o debate mais qualificado.

Caso contrário, encontramos candidatos oportunistas que se aproveitam da falta de interesse ou até da ignorância dos eleitores para se elegerem. É verdade que sempre foi assim, mas nesse ano o número de artistas, ex-jogadores de futebol ou parentes de famosos disputando a eleição é enorme. Alguns eleitores acabam pensando assim: "vou votar no cara da tevê porque não sei em quem votar mesmo". Ou então, a falta de confiança da população é tamanha que pensamentos como este são freqüentes: "já está tudo uma porcaria, então vou chutar o balde"! É o chamado "voto de protesto". Se é para protestar desse jeito, é melhor anular. O horário eleitoral é uma piada, mais uma vez.



Acompanhando o desenrolar da campanha, outros questionamentos vêm à tona. É interessante perceber como os dois principais partidos (PT e PSDB) cada vez mais estão se aproximando, com relação a propostas e planos de governo. É que tanto um quanto outro, para conseguirem se eleger em altos cargos executivos, buscaram alianças com partidos que não compartilham da mesma base ideológica. Daí veio a aliança entre PSDB e DEM, e a aproximação do PT com o PMDB, por exemplo.

Por fim, com o fim da verticalização partidária, as alianças entre partidos ficaram mais confusas. É que um partido pode apoiar no âmbito nacional a candidata do PT, e no âmbito estadual algum do PSDB. A título de exemplo, em São Paulo, o PMDB apóia a candidatura de Alckmin, mesmo tendo o vice na chapa de Dilma para a presidência. No Rio de Janeiro, Gabeira, do mesmo partido de Marina Silva, é apoiado pelos candidatos de partidos aliados a Serra. Em Minas, o PSB e o PDT, partidos da base governista, apóiam o candidato do PSDB para governador do Estado. Ou seja, a cada quatro anos parece que a eleição é mais e mais esdrúxula.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Eleições - a vez do Legislativo

Está começando a campanha eleitoral. Cada eleitor escolherá seis nomes: os chefes para o executivo estadual e federal (Governador de Estado e Presidente da República), dois Senadores e dois deputados (um estadual e um federal). Uma eleição dessa amplitude acontece apenas a cada oito anos. Muito se fala da eleição para Presidente - e o primeiro debate ocorrerá amanhã à noite. Mas freqüentemente se esquece da eleição mais importante - a do Legislativo. Ainda mais tendo em vista a possibilidade de se renovar praticamente todo o Congresso Nacional, já que escolheremos representantes para dois terços do Senado, além de para toda a Câmara dos Deputados.



Com a campanha do Ficha Limpa tendo atingido um grande sucesso na Internet, é o momento de ir além e de se escolher com cuidado os representantes do Legislativo. Basta perder algumas horas pesquisando em sites como o do "Voto Consciente" ou do "MCCE", entre outros que procurem mostrar o desempenho dos parlamentares atuais. É importante procurar saber qual a assiduidade dos políticos e seu posicionamento em relação a questões discutidas. Parece meio óbvio escrever tudo isso, mas a maioria das pessoas não se preocupa em usar um pouco do seu tempo com essas questões.

A foto acima é belíssima. Infelizmente é só a foto, mas ainda acreditamos em mudanças...

sábado, 27 de março de 2010

Obama e a saúde

Parabéns ao Presidente Obama. Ao que indica, já está mostrando serviço. Conseguiu uma aprovação histórica de uma lei que reforma o sistema de saúde dos Estados Unidos, estendendo benefício de seguro saúde a mais de 30 milhões de pessoas que não tinha acesso a ele.

Barack Hussein Obama Jr. nasceu em 4 de agosto de 1961, em Honolulu, Havaí. Obama iniciou sua carreira política como um senador estadual de Illinois, onde atuou de 1997 a 2004. Ele ficou conhecido nos círculos políticos de Chicago por suas duras táticas políticas. Mais tarde saltou para o Senado Federal, por Illinois. Obama apresentou várias propostas. Apoiou uma proposta de aumentar créditos para famílias empregadas de baixa renda. Entre outras propostas, apresentou também o Ato de Pobreza Global de 2007, que requeria que o presidente criasse uma estratégia para combater a pobreza global.

Apesar de seu bom histórico político, e de já ter acertado na questão da saúde, ainda não parece se esforçar em resolver problemas da política externa americana, sobretudo em relação ao Oriente Médio.

terça-feira, 16 de março de 2010

Royalties



Já é motivo de polêmica a atitude do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que decretou ponto facultativo na quarta-feira, dia 17, para liberar os funcionários públicos para uma passeata no centro da cidade como protesto à emenda do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que modifica a distribuição dos "royalties" do petróleo. Os "royalties" passariam a ser distribuídos a todos os Estados do país, e não mais destinados somente aos Estados onde se extrai o recurso.

O fim do pagamento dos "royalties" colocaria em risco o caixa da maioria das prefeituras do Estado do Rio. Das 92 cidades do estado, 90 podem ser prejudicadas com perda de receita. Exemplo é a cidade de Campos, que recebeu em 2008 R$ 1,193 bilhões. Com as mudanças, teria direito a pouco mais de R$ 4 milhões por ano, menos de meio por cento do que ganhava.

O governador Sergio Cabral está apelando. Para comover a população, disse até que, com a nova medida, seria impossível a realização de Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil.

Já para o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), autor da polêmica emenda, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados respeita a Constituição, que determina que o patrimônio encontrado no mar não pertence a nenhum Estado, mas à União, o que parece justo, ao menos à primeira vista.

Falta ainda a aprovação do Senado e também a sanção do presidente. Espera-se, no entanto, que alguns senadores peçam um tempo para discutir o projeto e tentar alterá-lo, procurando fazer uma espécie de transição nessa redistribuição de verbas. Parece que seria mais coerente, até para evitar um rombo no orçamento das cidades fluminenses, e tentar agradar a gregos e troianos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Atraso

Semana passada saiu na Folha de São Paulo: "Falta mão-de-obra qualificada em diversos setores no Brasil". Novidade?

Acontece que o país nunca investiu em ciência e tecnologia, e não se preocupou muito com infra-estrutura. São décadas de atraso em diversos setores, e não adianta melhorar alguns índices e estatísticas se não houver uma preocupação a longo prazo com essas questões. Não adianta se preocupar em simplesmente fazer a economia crescer ou melhorar taxas como de analfabetismo, mortalidade infantil, ou até mesmo desigualdade na distribuição de riquezas. O atraso está na falta de investimento a longo prazo, sobretudo em ciência, tecnologia, educação, cultura, esporte, mão-de-obra qualificada. Algo que poderia mudar bastante com essa história toda de Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil. Mas a cultura do improviso prevalece.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Higienização?



Logo no início do governo municipal Serra-Kassab foi instituída a chamada rampa anti-mendigo (foto). É uma rampa de concreto colocada embaixo de alguns viadutos para inibir a presença de moradores de rua durante a noite. Mais tarde foi a vez do banco anti-mendigo colocado em algumas praças do centro, cheio de divisórias, para evitar que os moradores de rua dormissem lá. Agora, a novidade do governo Kassab, sob liderança da secretária Alda Marco Antonio, é a extinção de cerca de mil vagas em albergues da região central da cidade. A justificativa é que as pessoas que dormiam nesses albergues seriam transferidas para outros albergues, de regiões mais distantes do centro. Essa é a "revitalização" do centro da cidade proposta pela atual gestão. Práticas, ao que parece, higienistas.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Perspectivas para 2010 - Eleições

Apesar de contar com 72% de apovação, de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada semana passada, Lula pode não conseguir eleger a candidata de sua confiança para sua sucessão. Isso talvez se explique pelo fato de Dilma Roussef ainda não ser uma figura muito conhecida, ou então pelo fato de o eleitor desejar uma alternância no poder. De qualquer maneira, caso não haja nenhuma reviravolta, o presidente em 2011 será José Serra. Resta saber no que isso muda alguma coisa.

De grande novidade, segundo alguns analistas, nessa eleição teremos as redes sociais da Internet. Orkut, Facebook, Twitter, Blogs, todos elas serão indispensáveis para a propaganda dos candidatos nesse ano, seguindo exemplo da última eleição americana. O que se espera mais uma vez é que as pessoas dêem mais valor ao Legislativo, buscando uma renovação necessária, até porque dois terços do Senado serão renovados nesse ano, o que é importantíssimo. Vamos analisar com muita calma as propostas dos candidatos e também o seu passado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aziz e Copenhague

Após um tempinho sem postar, voltamos para falar do assunto do momento - a conferência da Cúpula do Clima na Dinamarca. O objetivo central da conferência é reduzir as taxas de emissão de Gás Carbônico. No entanto, há muitas opiniões divergentes sobre as motivações e conseqüências futuras vindas dessa reunião.

Uma opinião no mínimo interessante e que certamente provocará discussões é a do geógrafo Aziz Ab'Saber, autoridade no assunto aqui no Brasil. Para o professor Ab'Saber, embora não se tenha como negar que a temperatura média aumentou, alguns cientistas não levam em conta os efeitos das ilhas de calor das cidades e culpam a emissão de gases, o que talvez não tenha produzido tamanho efeito.

Além disso, as conseqüências do aquecimento limitam-se ao aumento do degelo e do nível do mar, e não afetariam as florestas tropicais, como se diz atualmente. Por fim, segundo o professor, há que se considerar o histórico das mudanças climáticas no planeta em uma escala maior, tendo em vista que há em curso um aquecimento progressivo que já se estende por cerca de 12 mil anos independentemente da ação antrópica.



Com certeza, é uma opinião a ser discutida e levada em conta, apesar de sabermos da necessidade de uma ação conjunta e discussão ampla que procure amenizar os efeitos desastrosos da ação antrópica sobre o meio-ambiente.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Quanto vale ou é por quilo?





Filme de Sergio Bianchi mostra as contradições dos projetos sociais em andamento no Brasil, sobretudo os oriundos do terceiro setor. Vale a pena alugar e conferir o filme todo.

domingo, 22 de novembro de 2009

120 anos de República!

Não dá para negar a importância do ano de 1989 na formação política dos brasileiros que vivenciaram aqueles acontecimentos. Comemoravam-se 100 anos de República no Brasil e todos estavam vivendo intensamente a eleição presidencial. A eleição de 1989 foi a primeira eleição direta para presidente desde 1960, após o período conturbado da Ditadura Militar. Eram mais de vinte candidatos, entre eles: Covas, Maluf, Lula, Brizola, Ulysses Guimarães, Enéas, Collor, Gabeira, Afif. Até Silvio Santos se aventurou, mas depois teve a candidatura impugnada. Relembremos alguns momentos daquela campanha.








Muita coisa mudou. Collor hoje é senador e faz parte da base aliada do atual presidente Lula. O PSDB de Mario Covas que apoiou Lula no segundo turno naquela ocasião hoje é o maior inimigo político do PT de Lula. Enéas, Brizola e Ulysses Guimarães já morreram. Silvio Santos desistiu da política. Gabeira, que na ocasião foi um dos menos votados, ano passado quase virou prefeito do Rio de Janeiro. Mas a eleição de 1989 foi sem dúvida a que mais marcou.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Novo Reitor

O Governador José Serra escolheu nesta semana o novo reitor da USP. Será João Grandino Rodas, professor da Faculdade de Direito. O Governador tem autonomia para escolher qualquer um dos três mais votados na eleição interna da Universidade. No entanto, o costume é o de se escolher sempre o mais votado. Dessa vez, foi diferente. Rodas terminou a eleição em segundo lugar, mas foi o preferido do governador por motivos políticos, já que Rodas tem boa relação com os tucanos. A última vez em que um reitor da USP não foi o mais votado na eleição interna foi quando Maluf escolheu o quarto colocado, em 1981.

domingo, 4 de outubro de 2009

Copa e Olímpiadas no Brasil

O Brasil continua sendo o país do futuro. Que bom! Pena que o futuro nunca chega. Agora está marcado para 2014 e 2016, anos de Copa e Olimpíada no país. Se tomarmos o Pan de 2007 do Rio como base para uma adivinhação do que vai acontecer nos próximos anos, não conseguiremos pensar em nada além de falta de planejamento e desvio de verbas.

O historiador Hilário Franco Junior deu uma entrevista ao Estadão justamente dizendo que no Brasil persiste há 500 anos uma "cultura do improviso". Ou seja, não se consegue planejar nada a longo prazo. Espera-se o problema, e depois tenta-se resolvê-lo com o que se tem. A análise que ele faz é de que essa "cultura" foi-nos legada pelos povos que formaram o país. Talvez seja uma análise simplista.

Para o historiador, os índios nunca precisaram se preocupar em organizar plantações com antecedência ou estocar comida, já que não enfrentavam seca ou inverno rigoroso. Os negros que aqui vieram eram prisioneiros e não podiam ter visão de longo prazo. Por fim, os portugueses passaram séculos em uma situação de lutas contra os muçulmanos e conviviam com fronteiras territoriais fluidas, o que fazia com que o improviso prevalecesse.

De qualquer maneira, mesmo já sabendo que essas coisas no Brasil não dão certo, os eventos acontecerão. A partir de agora então vamos tentar ser otimistas (sem ufanismo, claro) e começar uma discussão ampla (que envolva a todos) para que os Jogos e a Copa dêem certo, ou seja, façam com que essa "cultura do improviso" deixe de existir, façam com que se criem oportunidades para um desenvolvimento do esporte como política pública séria, tragam melhorias urbanísticas reais (e não de fachada), enfim, para que o futuro chegue.