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sábado, 13 de novembro de 2010

Que tipo de monstro?

Os colegas do Educaforum estão sempre cheios de denúncias a fazer, seja com relação a esquemas de corrupção em escolas (como no caso de Araraquara), seja com relação à conduta de certos "educadores".

Recentemente, publicaram alguns vídeos a respeito. Um coordenador resolveu revistar crianças de onze anos, tirando a roupa delas, já que um cartão de uma professora havia sumido, na região metropolitana de Vitória, Espírito Santo. O vídeo a seguir é sobre uma outra história, de uma professora que teria feito um menino de oito anos engolir papel, em Joinville, Santa Catarina.



O pessoal do Educaforum faz críticas aos educadores brasileiros, que, em grande parte, e por uma série de motivos, são incompetentes, corruptos e preguiçosos. Temos que encontrar mecanismos para premiar os bons profissionais da educação e afastar os maus.

"Não é por ser pobre ou de família analfabeta que a criança brasileira não se alfabetiza, é porque a escola é incompetente, é porque o professor não percebe ou não admite sua ignorância, não busca se aprimorar e às vezes até despreza o colega bem sucedido."

Por outro lado, muito se fala sobre as péssimas condições de trabalho dos professores, os salários ruins, a desvalorização, e também sobre o ambiente de violência que se instaura em certas escolas. Fala-se sobre professores agredidos por alunos, e fala-se muito também sobre o "bullying".

Tudo isso é constante nas escolas públicas, mas só pode ser revertido com a valorização do bom profissional da educação . Aquele que é comprometido, responsável e que busca aprimorar-se. O vídeo a seguir é um exemplo de superação. Fala sobre "bullying" e violência escolar, e deveria ser divulgado no mundo todo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Educação atrasada

É novidade em São Paulo a idéia de se recompensar os profissionais da educação pública e também algumas escolas com base em testes de desempenhos de estudantes, como o Saresp.

Isso veio de um modelo norte-americano que se baseia na idéia de "accountability" e "choice", adotados por escolas estadunidenses há duas décadas.

Acontece que o modelo já está sendo superado, após muitas críticas de teóricos da educação, inclusive de alguns que chegaram a apoiar inicialmente a proposta.

É o caso de Diane Ravitch, professora do Departamento de Educação da Universidade de Nova York. Seu livro, The death and life of the great american school system, critica o modelo que está agora começando a ser aplicado no Brasil. O argumento é que, além de essas novidades não terem tido efeito real quanto à qualidade da educação, percebeu-se que incentivos e sanções não são a melhor maneira de melhorar a educação.

Em suma, estamos começando a colocar em prática mais um modelo ultrapassado.

sábado, 24 de julho de 2010

Educar com ou sem palmadas

A proposta de uma lei recentemente aprovada que proíbe os castigos físicos a crianças e adolescentes já está levantando polêmicas. A própria revista Veja, de grande circulação no país, já publicou uma matéria a respeito, criticando, ainda que indiretamente, a nova lei. Aliás, a revista Veja adora se posicionar em questões polêmicas como essa.

A lei vem para atualizar e regulamentar com mais precisão o Estatuto da Criança e do Adolescente, que já condenava os maus-tratos, mas não deixava clara a questão das punições corporais.

De qualquer modo, é uma boa discussão: o Estado tem o direito de interferir nesse tipo de relação privada, como a educação familiar? Acreditamos que sim, se o que está em questão é a integridade física e psíquica de crianças e adolescentes.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Profissão rejeitada

Neste mês a revista Nova Escola publicou uma pesquisa a respeito do perfil daqueles que escolhem trabalhar na área da educação, levando em consideração também os motivos que fazem com que a maioria se afaste da docência. Descobriu-se que apenas 2% dos alunos de Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduações relacionadas à atuação em sala de aula. Outra questão preocupante não diz respeito apenas à pequena quantidade de pessoas que escolhem essa carreira, mas também à sua formação básica. Apenas 13% dos entrevistados que escolheram a área da educação estudaram em escolas particulares na formação básica, o que permitiria supor que a qualidade do aluno que ingressa em pedagogia ou licenciaturas seria inferior.

O que preocupa mais são os motivos que afastam os bons alunos da profissão docente. Para quem esperava que o grande problema apresentado fossem somente os baixos salários, descobriu-se também que pesam fatores como a desvalorização da sociedade em geral com relação à profissão. Ou seja, como já foi dito aqui antes, não é apenas uma questão política, mas sobretudo social.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Todos pela educação?

Postagem publicada no blog das nossas colegas do Educaforum. Texto excelente. Vale a pena conferir (grifos nossos).





09 Janeiro 2010
Democramole na educação

Este país é o campeão da injustiça social. Não porque haja exploração ou repressão ostensiva e maciça, justamente pelo contrário. Onde a exploração e a repressão são patentes, a solução é clara e só depende de coragem para o confronto.

No Brasil a injustiça social é camuflada e covarde, ela inicia na escola, onde a população é dividida em "príncipes" e "párias", num consenso que já vem de gerações: onde se viu a patroa misturar seus filhos com os da empregada, nos mesmos bancos escolares?...
90% das escolas brasileiras são públicas.

10% das escolas brasileiras são particulares.

As escolas brasileiras, sejam públicas, sejam particulares, são péssimas - os índices nacionais e internacionais estão bem claros.

Apenas 1% das escolas brasileiras, entre públicas e particulares, estão preparadas para dar ao aluno a formação que ele merece e precisa, para poder contribuir com o progresso da nação.

Em resumo, 99% das escolas brasileiras "formam" alunos cujo analfabetismo funcional se revela nas faculdades, onde não sabem redigir ou interpretar textos nem fazer pesquisas. A maioria das teses de mestrado e doutorado, muitas feitas com o suado dinheiro público, em nada contribuem para o país, não passam de papel de embrulho.

O maior problema começa e se fecha nos bancos escolares.

A escola do filho da patroa costuma ser tão ruim quanto a do filho da empregada, com uma diferença: quando a patroa vê (mas não percebe...) que ele é massacrado por uma avalanche de informações inúteis, dá-lhe professor particular pro filho... passar de ano. Ou então ela o muda de escola. De tapa em tapa, o diploma está garantido.

Já a empregada é obrigada a aceitar a escola que o governo "oferece" para seu filho, uma escola administrada por profissionais cujos filhos estudam na escola... da patroa. E ela não pode reclamar de nada, pois toda a mídia deixa bem claro que A RESPONSABILIDADE PELA VIDA ESCOLAR DOS FILHOS É DOS PAIS, eles que "estejam presentes", que ajudem nas lições de casa, que participem como "amigos da escola", que não faltem às insuportáveis reuniões de pais onde vão apenas ouvir falar mal de seus filhos ou de seus colegas "maus alunos". Enfim, toda a culpa do fracasso escolar é atribuída aos pais ou aos próprios alunos...

É claro que a maioria dos pais da rede pública não vai poder ajudar muito nas lições, nem pagar professor particular. Então, chegar ao diploma pode ser um desafio impossível. Tanto é que os níveis de repetência são altíssimos, os de desistência idem, os de expulsão são agora "legitimados" através dos Conselhos de Escola, tribunais de exceção que decidem quem pode permanecer na escola. Problemas disciplinares corriqueiros são hoje "resolvidos" chamando a polícia na escola - até criança de 7 anos já foi parar na delegacia!

O aluno da rede pública é divulgado em toda a mídia, dominada pelos sindicatos da classe "docente", como trombadinha em potencial, elemento suspeito que põe em risco a segurança do professor e do colega. O que se passa nas escolas públicas, já a partir dos primeiros anos da vida escolar, só os alunos sabem - e obviamente não conseguem explicar, como é normal nas crianças...

A escola pública é uma "caixa preta", uma "Instituição da tortura", como diz o livro da professora Glória Reis, é "o lugar onde a criança chora e a mãe não vê", como a Cremilda ouviu seu próprio filho dizer.

Isto não tem solução - não enquanto a sociedade brasileira continuar resolvendo pagar duas escolas, uma para seus próprios filhos e outra para os filhos... dos outros.

Mas existe, no sistema educacional brasileiro, um problema ainda maior que o apartheid: é a exclusão. Por ruim que seja, a escola é um mal necessário. Até ela se tornar digna desse nome muitas águas vão rolar mas, por enquanto, ruim com ela, pior sem ela. Aluno expulso ou excluído não tem chance em um país onde até o lixeiro ("o mais baixo na escala do trabalho", nas palavras de Boris Casoy) precisa de um diploma.

O Brasil de hoje não é ditadura nem democracia, nem mesmo "democradura", como tem sido chamado. A meu ver, trata-se de uma "democramole", uma sociedade amorfa que pouco se preocupa com seu futuro, representado pelas novas gerações. Se a patroa realmente se preocupasse com o futuro dos próprios filhos, lançaria um olhar para os filhos da empregada e não precisaria levantar muros tão altos para isolar os seus próprios. Se as autoridades de todos os poderes e escalões realmente tivessem intenção de melhorar a educação, arregaçariam as mangas e TRABALHARIAM, não ficariam encasteladas em seus gabinetes, despachando uma papelada inútil, enquanto as escolas ficam à mercê de diretores e profissionais mal preparados e viciados pela falta de cobrança e fiscalização, faltando a bel prazer e achando o trabalho um peso insuportável.

Este quadro dantesco tem se confirmado nos últimos anos, quando uma das maiores esperanças para a educação brasileira andou sendo enterrada pela preguiça do sistema educacional: a progressão continuada. Chamada de "empurração automática" pelos péssimos profissionais que não entendem seu mecanismo, ela acabou sendo rejeitada pela sociedade e pela mídia. Como já cansamos de repetir aqui, e ainda não desistimos, a Progressão Continuada pode ser explicada numa equação simples:

PROGRESSÃO CONTINUADA = AVALIAÇÃO CONTÍNUA + RECUPERAÇÃO CONTÍNUA.

Ela é rejeitada porque exige trabalho do professor, do coordenador pedagógico, do diretor da escola, do supervisor, do dirigente de ensino e do secretário da educação. Quem quer essa "batata quente"?

A Progressão Continuada foi muito bem implantada há vinte anos, aqui na rede municipal de São Paulo, por Paulo Freire e Mário Sérgio Cortella na gestão Erundina, mas quem deu continuidade?... Paulo Maluf, Celso Pitta? rs Nem a Marta se preocupou com isso... Na rede estadual o fracasso da progressão continuada também foi geral e a volta à repetência é aclamada como solução para um problema gerado apenas pela falta de competência e/ou pela preguiça. Pouquíssimas vozes têm se levantado a favor da progressão continuada e contra a repetência. Uma delas é a da filósofa Viviane Mosé em seu artigo Educação: a briga no Rio está errada. Leia clicando aqui. Mas, a depender das autoridades e da mídia, mais essa batalha está perdida.

Mais uma vez repetimos: enquanto a REPETÊNCIA, a EXPULSÃO e a EXCLUSÃO forem as ferramentas que empurram a educação brasileira "com a barriga", nada a comemorar.

domingo, 25 de outubro de 2009

Descaso

Na mesma semana em que observamos os já freqüentes conflitos nos morros do Rio de Janeiro, a Televisão transmitiu uma Audiência Pública ocorrida na Câmara dos Vereadores de São Paulo. A questão debatida era a respeito das políticas adotadas pela administração municipal com relação aos CEUs, projeto educacional originalmente criado no governo Marta e mantido pelos governos Serra e Kassab. A idéia original dos CEUs era a de criar em algumas regiões da periferia centros de educação que tivessem papel de escolas, e ao mesmo tempo dispusessem de uma infra-estrutura de lazer, recreação e cultura para os educandos, e para a comunidade em geral.

Representantes de diversos CEUs da capital estiveram na Audiência e, no geral, contaram o que já se sabe: faltam recursos e, principalmente, faltam profissionais de qualidade para atenderem à demanda. Por isso, o número de pessoas atendidas é muito pequeno em relação ao que se comportaria inicialmente. Não que se esperasse algo diferente, já que sabemos a dificuldade em se implantar projetos dessa grandiosidade. Muito se criticou inclusive a iniciativa do governo petista de lançar o projeto, pelos obstáculos na manutenção dessas áreas. Por outro lado, falta também uma vontade política em melhorar esse cenário. Vale dizer que o Secretário de Educação não foi à Audiência e mandou em seu lugar uma representante que se mostrou despreparada para responder às questões da população, e o fez inclusive em nítido tom de deboche.

Políticas públicas nas regiões de maior risco social que envolvessem a educação formal, juntamente com lazer, esportes, música, teatro, dança, circo, educação profissional - projetos que fossem de abrangência e qualidade - evitariam (ou pelo menos atenuariam consideravelmente) a necessidade de intervenções como as que vemos no Rio, cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Ou não?

domingo, 18 de outubro de 2009

Vergonha em Campinas

Para continuar o assunto "educação", vamos comentar uma notícia que saiu esses dias nos jornais. Em uma escola estadual de Campinas, houve uma briga entre duas crianças de sete anos. O que os (ir)responsáveis fizeram? Chamaram a polícia. Vieram os PMs, e levaram uma das meninas para a delegacia. Não haveria um jeito menos traumático para resolver essa situação? Parece até piada, mas o triste é constatar que notícias como essa não são exceções. Para comprovar, é só entrar no blog de nossas colegas do EducaForum. Lá, elas estão sempre comentando notícias como essa. Vale a pena dar uma olhada, por exemplo, no dossiê sobre o esquema de desvio de verbas no ensino público de Araraquara. Pena que sites como esse, que denunciam os males da educação brasileira, são, isso sim, exceções. Defender uma valorização da profissão docente deve estar indissociado de uma melhoria na formação da categoria, caso contrário fatos como esses permanecerão.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia dos Professores?


Se a educação vai mal, isso ocorre muito por incompetência dos profissionais da educação, seja da área administrativa, seja das salas de aula. Fato. No entanto, como já falamos muitas vezes aqui, sabe-se que a profissão de professor no Brasil foi colocada em segundo plano já há algum tempo. Deveria haver um maior investimento nos salários dos professores, na sua formação técnica e também em seus planos de carreira. Mas chega de reclamar do governo.

Há também uma espécie de consenso geral na sociedade de que "virar professor é sinônimo de burrice ou fracasso". Afinal, se a pessoa teve o direito de escolher, foi burra de escolher uma profissão que não garante bons rendimentos. Ou então, só se vira professor quando se fracassa na profissão de origem, e então tenta-se a sorte na sala de aula. São visões que permanecem. Ainda falta muito para o professor voltar a ter reconhecimento da sociedade. Ou seja, não adianta apenas aumentar salários. O problema é mais complicado. Já me perguntaram muitas vezes: "Ah, você é professor... legal... mas, além disso, você também trabalha?"

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Novo ENEM

Será neste fim-de-semana a aplicação da primeira prova do novo ENEM. Ao que tudo indica, apesar do aumento no número de questões, não será uma prova muito diferente do tipo de exame que já vinha sendo feito, e que sempre priorizou o raciocínio e a interpretação. Vamos apenas aguardar para saber se a prova desse ano será ou não mais complexa do que as anteriores.

De qualquer modo, alguns dizem que o fato de o ENEM se destacar cada vez mais como meio de se conseguir uma vaga no Ensino Superior público provocará mudanças nos currículos escolares. Difícil analisar as conseqüências práticas disso. Afinal, em teoria as mudanças são boas, mas na prática, não se sabe ao certo o que pode acontecer (ou não acontecer), como tem ocorrido com relação a outros projetos educacionais. Por exemplo, vejo que, em quase todas as escolas, públicas ou particulares, a implantação de Sociologia e Filosofia como matérias obrigatórias não deu certo, e as perspectivas não são boas.

domingo, 27 de setembro de 2009

Nova livraria na cidade


Boa nova. Está sendo inaugurada dia 8 de outubro, após cerca de dez anos de projetos, a nova livraria da Edusp. Será no prédio da antiga reitoria e seguirá o modelo das livrarias mais conceituadas de São Paulo, com espaço para café e palestras, além de exposições de obras de arte. O bom é que a livraria vai ficar aberta todo dia até nove horas da noite.

domingo, 17 de maio de 2009

Fracasso das reformas em educação

Antonio Viñao Frago é Catedrático de Teoria e História da Educação na Faculdade de Educação da Universidade de Múrcia. Uma de suas principais linhas de pesquisa é a análise das políticas e reformas educativas nas suas relações com as culturas escolares.

Segundo a lúcida análise do autor, o grande problema das reformas educativas é o fato de que elas são a-históricas e são concebidas sem levar em conta as culturas escolares - o conjunto de normas, hábitos, práticas, mentalidades e comportamentos existentes na instituição escolar. As reformas, postas de cima para baixo, sem considerar as especificidades de cada cotidiano escolar, não funcionam.

Daí a dificuldade de se implantar certas reformas no ensino público. Daí a dificuldade em se instalar a progressão continuada. Daí a dificuldade em se abandonar a alfabetização por cartilhas. Daí a dificuldade em mudar o currículo do Ensino Médio, e torná-lo menos conteudista. Daí a dificuldade em se ensinar atualmente tabuada e contas de divisão.

Acontece que o professor não está preparado para elaborar e dar conta de todas as informações que chegam até ele. As teorias pedagógicas mais modernas, as pressões de reformas vindas do Estado, as mudanças rápidas na tecnologia e nos valores - tudo isso confunde a cabeça do educador. Se confunde a do educador, imagine a dos alunos. O problema é que ninguém esclarece nada.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Pelo fim do conteudismo? - as funções da escola



Já falamos inúmeras vezes nesse blog a respeito da necessidade urgente da valorização do profissional da educação - sobretudo o do Ensino Básico. Somente assim encontraremos avanços na qualificação dos educadores, fundamento para qualquer futura mudança na área. Sem um bom número de educadores qualificados, não haverá nunca progresso significativo.

Não adianta o MEC querer implantar filosofia e sociologia no Ensino Médio se não há gente qualificada para dar esses cursos. Não adianta fazer grandes alterações no Vestibular se os alunos continuam saindo da escola muitas vezes sem saber ler e escrever.

A última proposta de alteração do MEC é a de acabar com a tradicional divisão por disciplinas. Ao invés de dez disciplinas, sobrariam apenas quatro. Por exemplo, as matérias de História, Geografia e Filosofia se fundiriam em uma mais abrangente denominada Ciências Humanas. As outras seriam Matemática, Ciências (incluindo Biologia, Química e Física) e Línguas. Tudo isso para incentivar a chamada interdisciplinaridade. Bacana. Mas se não temos gente qualificada, quem vai saber pôr em prática essas mudanças adequadamente?

O resultado disso tudo é que o MEC, ao tentar, ainda que acertadamente, combater o conteudismo, vai acabar caindo em um outro extremo, o da falta total de conteúdo.

Sempre fui defensor de um ensino que privilegie o raciocínio, a reflexão e a autonomia. No entanto, corremos o risco de desprezar uma das funções da escola, que é a de transmitir o saber adquirido ao longo dos tempos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Entre os Muros da Escola

O filme francês em cartaz nos cinemas traz algumas questões atuais sobre a educação pública na França, mas que servem perfeitamente para discutir a educação pública brasileira. Vale a pena conferir e refletir a respeito. À propósito, seria interessante também visitar o blog de nossas colegas do Educaforum, onde há um texto muito interessante analisando o filme.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Vestibular unificado

Fala-se de uma alternativa proposta pelo MEC para unificar os vestibulares das Universidades Federais em torno de uma única prova, que seria semelhante ao ENEM. O que se argumenta é que, além de facilitar a distribuição das vagas por todo o país, seria uma avaliação que privilegiasse o raciocínio dos alunos, e não a "decoreba". Alguns contestam o modelo atual por exagerar no conteúdo. Daí, as escolas têm que ensinar muita matéria, porque o vestibular das boas universidades é exigente. Nem tudo é absorvido, no entanto. Para piorar a situação, os alunos de escola pública ficam em desvantagem.

Por outro lado, uma avaliação pouco conteudista pode sepultar diversos conteúdos hoje trabalhados no Ensino Médio e fazer com que, em alguns casos, o aluno chegue ainda menos preparado para alguns cursos superiores. Será? De qualquer modo, é uma questão a ser pensada com cuidado.

terça-feira, 31 de março de 2009

Material didático e escola pública



A imagem acima é de um mapa que consta em uma das apostilas distribuídas neste ano pelo governo de São Paulo nas escolas públicas. Ainda que o erro em relação aos países seja grave, não é só por isso que devemos criticar o material. O material todo é um erro. Os assuntos estão fora de ordem e desconexos, os exercícios muitas vezes não têm sentido, faltam textos e ilustrações.

Em suma, se era para fazer uma porcaria dessas, era melhor não terem feito nada. Na prefeitura, pelo menos, ninguém inventa moda, e utiliza-se, na maior parte das vezes, o material da Editora Moderna, que é muito bom.

Melhor nem falar mais nada.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Vamos esperar até 2022?

Se as péssimas notas que os professores de escola pública tiraram na última avaliação promovida recentemente não bastam para que algo de grande alcance seja feito buscando um ensino de mais qualidade, o jeito mesmo é esperar até 2022.

Sim, porque para o "Todos pela Educação" existem metas a serem cumpridas até 2022, ano do bicentenário da Independência. Interessante, mas se nada for feito, algumas destas metas são impossíveis de serem alcançadas, como se tem observado.

Em São Paulo, que deveria, até pela sua prosperidade econômica, proporcionar um ensino de mais qualidade a seus alunos, 72 por cento dos educadores que trabalham com alfabetização tiraram nota inferior a 6 no último exame promovido pelo governo.

Tendo em vista esses dados, o que fazer? Insistimos que, antes de qualquer coisa, o bom profissional da educação tem de ser valorizado, até porque, caso contrário, ele resolve trabalhar em um banco e entra um "meia-boca" em seu lugar...

terça-feira, 3 de março de 2009

Ensino Superior e cotas



Realmente prefiro, quando trato de educação, falar sobre problemas e soluções para a Educação Básica. Dificilmente falo do Ensino Superior, já que ele, em comparação com os demais níveis de ensino, vai "bem, obrigado". Mas a discussão nos "media" sempre diz respeito às Universidades.

Ontem mesmo saiu uma notícia falando das alterações que acontecerão no vestibular da Fuvest. O que se percebe - já há algum tempo - é que o vestibular cada vez mais prioriza a cultura geral dos alunos e suas habilidades cognitivas, em detrimento de decorebas ou assuntos específicos. Ótimo! O problema é que logo aparecem os grandes especialistas no assunto dizendo se as mudanças serão melhores ou piores para os alunos de escola pública. Ora, as mudanças atingem a todos, e os alunos de escola pública continuam em desvantagem, já que recebem um ensino mais fraco. Esta é a questão a ser discutida - a qualidade do Ensino Básico, e não o acesso à Universidade.

Do mesmo jeito, nas próximas semanas, o Senado vai discutir uma lei que obriga todas as Universidades Federais a reservar 50 por cento das vagas a alunos de escola pública. Constam também na lei as chamadas cotas raciais para negros, índios e pardos, ainda que de modo meio confuso, pois as vagas para os negros seriam destinadas proporcionalmente ao número de habitantes negros do Estado, o que deve causar problema.

É certo que o ingresso no Ensino Superior deva ser feito pelo mérito, até para que o nível do Ensino se mantenha forte. No entanto, o que se viu há um tempo - e já começou a mudar - foi uma elitização enorme das Universidades Públicas, o que não pode ocorrer. Cotas sociais ou bônus para alunos de escola pública são maneiras de atenuar este problema e dão nova vida à Universidade. Não vou entrar nos detalhes, mas quem viveu anos de vida acadêmica e/ou trabalhou em projetos de ensino para alunos de escola pública sabe do que estou falando.

Do mesmo jeito que há anos defendo as cotas sociais, sou contra as raciais, já que caem no grave erro de separar racialmente a sociedade. Mais do que anti-racista, a sociedade, e, por extensão, as leis devem ser anti-racialistas. Mas isso é assunto para o Senado, e no futuro para o STF.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Professores que não são professores

A respeito de educação, uma questão com a qual muito se depara mas pouco se discute é a formação dos professores. Os baixos salários e as poucas perspectivas de plano de carreira afugentam os jovens de seguir a profissão de professores. Quantos bons professores em potencial não acabam fazendo Direito, Administração, Engenharia, Jornalismo, entre outras faculdades? Conheci inúmeros que nunca pensaram em fazer uma faculdade que formasse professores, mas que seriam excelentes professores se o tivessem feito. Acontece que nem passa pela cabeça da maioria das pessoas ser professor. Além de baixos salários, não existe um reconhecimento por parte da sociedade aos profissionais da educação. Conversando com alguns colegas, chegamos à conclusão de que os professores ou são professores porque gostam demais da profissão, ou - pasmem! - porque não conseguiram fazer outra coisa nas suas profissões de origem e acabaram indo dar aula. Ou seja, fracassaram como médicos, engenheiros, advogados (até porque o mercado está saturado nestas áreas) e arrumaram (sabe-se lá como) emprego de professores.

Resumindo, de um modo bem simplório. O que encontramos é o seguinte. Jovens que teriam potencial para ser bons professores vão fazer cursos que lhes permitem trabalhar no mercado financeiro ou em multinacionais (Direito, Engenharia, Administração). Dentre os que optam por cursos de formação de professores, muitos acabam seguindo a carreira acadêmica e de pesquisa. Sobram para trabalhar na Educação Básica aqueles profissionais que, por vocação, dedicaram sua vida à Educação - e que, por sorte, não são tão raros como se pensa. Além destes, sobram aqueles que estão na Educação apenas "de passagem, enquanto não encontram algo melhor", e o afirmam sem o menor pudor.

Século XXI: chegou a hora do fim dos professores-advogados e professores-engenheiros! Não que o mal da educação esteja somente neles - e entre eles existem os que são bons profissionais, é claro. Mas enquanto não for valorizado o verdadeiro profissional da educação as coisas não irão mudar nunca. Aquele que fez Matemática, História, Física, Biologia, ou então que fez Pedagogia, ou até mesmo o antigo Curso Normal. Sim, porque um engenheiro da Poli, que pode até saber Matemática, não fez matéria de Educação. O mesmo serve para um advogado da São Francisco, que pode saber um pouco de História ou Português. Mas na verdade não sabe nada de Educação. Não é da área e pronto. Afinal, corretamente, não se permite a nenhum profissional que não seja médico realizar uma cirurgia.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Férias, "big brother" e crianças

Toda vez que recomeça o enriquecedor programa da Globo "Big Brother Brasil" dá uma revolta enorme. Como bem colocado pelo nosso colega Dan em seu blog, a começar pelo nome do programa, ele é todo um lixo. Mas não tem problema. É só mudar de canal.

No livro de George Orwell, "1984", é descrita uma sociedade sob governo totalitário, controlada por um só partido. Escrito em 1948, Orwell tenta prever como seria o futuro dos sistemas políticos, tendo em vista a situação do Mundo na época, em pleno início de Guerra Fria. No livro, o "Big Brother" é quem controla todas as ações das pessoas. Como no programa. Mas não tem problema. É só mudar de canal. (Ou, caso contrário, se você é adepto dos lemas do "Ministério da Verdade", como descrito no livro, assista.)

Acontece que não adianta mudar de canal! Recentemente, percebi que, injustamente, durante anos critiquei os programas e novelas da Globo. Apesar de continuar achando "Big Brother" e novelas globais um lixo, descobri que a Globo não é tão ruim assim. Isto porque os outros canais abertos (tirando a Rede Cultura) são piores ainda, e alguns, surpreendentemente, passam o dia falando o que passou ou vai passar na Globo.

O assunto era para ser "férias de verão e crianças". Mas acabou no Big Brother. Vejamos por quê.




Tenho visto que, cada vez mais, as crianças da cidade, independentemente de classe social, gastam seu tempo livre com videogames e televisão. Sem querer colocar em pauta os benefícios ou malefícios disso, o que se observa muitas vezes é a chamada "falta do quê fazer". Até porque, em geral, ninguém gosta de ficar preso em casa em frente ao computador ou à TV. Cabe aos pais e responsáveis buscar alternativas para as crianças saírem de casa para jogar bola, andar de bicicleta e se desenvolverem melhor. Não há desculpa. Nas férias, sempre há alguém disponível para levá-las. Caso contrário, como já dissemos, nem adianta mudar de canal, porque a mediocridade impera.

...

De noite, quando estão todos em casa, leiam um livro, ouçam uma música boa, assistam a um bom filme. Ou então, por que não ir à livraria folhear uns livros, ir ao cinema, ou mesmo, dar uma volta a pé? Se você está com crianças, o bom exemplo educa melhor que a proibição



quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Incompetência e perversidade

Quando se trata de educação, sabe-se que muitos erros são cometidos diariamente nas escolas e estabelecimentos educacionais do mundo todo, e isto não seria diferente no Brasil. Errar é humano. E na FEBEM, a atual Fundação CASA? Muitos erros? Sem dúvida. Afinal, errar é humano, e trabalhar na FEBEM, convenhamos - não deve ser nada fácil. Mas, nada justifica o que se descobriu semana passada.

Trechos da reportagem da Folha:

"Entidades de defesa dos direitos humanos e políticos visitaram simultaneamente 20 unidades da Fundação Casa e constataram casos de tortura, agressão e maus-tratos aos internos. Há relatos de espancamento, isolamento e constrangimento em unidades do interior e da capital do Estado. Adolescentes relataram que temiam punições após as visitas."

"Em uma unidade, representantes de entidades civis acompanhados do senador Eduardo Suplicy (PT) presenciaram seis adolescentes cumprindo um 'castigo'. Eles relataram aos visitantes que estavam 'presos' no quarto havia 11 dias em beliches sem colchão, sem poder conversar, sem banho de sol e sem passar pela comissão de avaliação disciplinar. 'A direção alegou que eles estavam envolvidos em casos de violência com outro interno. Mas nada disso foi comprovado', disse Aristeu Bertelli, da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos. De acordo com ele, o regimento prevê sanção de no máximo cinco dias, mas com atividades pedagógicas. 'Essas sanções acabam ocorrendo muito mais em decorrência de uma perversidade dos agentes da instituição do que efetivamente por algo cometido por um adolescente contra outro', declarou Givanildo da Silva, do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Na mesma unidade, adolescentes relataram que funcionários utilizam uma espécie de enxada, apelidada de 'creusa', para ameaçá-los e agredi-los. Um deles estava com o braço fraturado. Em uma unidade do Brás, na capital, dez meninos disseram que apanharam de funcionários com cadeiras. Um deles tinha o dedo quebrado e outro, um corte na cabeça."



Mais detalhes em: http://infanciaurgente.blogspot.com/2008/12/visita-do-coletivo-em-defesa-dos.html