sexta-feira, 21 de maio de 2010

Outras pré-listas e a temporada 09-10

As listas definitivas de convocados para a Copa serão conhecidas apenas na primeira semana de junho, mas as pré-listas divulgadas semana passada já trazem uma idéia do que será o torneio. Como já comentamos a lista de Dunga, vamos falar um pouco a respeito das demais candidatas ao título. Espanha, Inglaterra, Itália, França e Holanda estão com sua força máxima, já que a ausência de Benzema não chega a ser relevante e a de Beckham já era esperada, pela grave contusão que infelizmente sofreu. Cabe dizer algo a respeito da Argentina de Maradona, em cuja lista não constam jogadores que parecem indispensáveis, como Zanetti e Cambiasso. Outro nome que parece faltar na Copa é o do alemão Frings.

No entanto, a maior ausência da Copa até aqui não é Beckham, nem Ronaldinho, muito menos Cambiasso. Uma entrada criminosa de um jogador ganês do Portsmouth no último jogo da temporada tirou ninguém menos do que Michael Ballack da que seria sua terceira e última Copa do Mundo. Detalhe: Gana enfrentará a Alemanha na fase de grupos. A violência teria sido premeditada? Um jogador que fará muita falta ao meio-campo do time alemão, ainda mais sabendo-se que Frings também não estará relacionado.

Por fim, há que se comentar sobre a grande final da Champions League, marcada para esse sábado. O Bayern superou todas as expectativas do início da temporada, e, comandado por Robben e Ribery tem chance de conquistar a tríplice coroa. A Internazionale, comandada por Cambiasso e Sneijder também pode conseguir esse feito ainda inédito para clubes italianos e alemães. Inter e Bayern dominaram os campeonatos nacionais e acabaram encerrando uma predominância dos clubes ingleses nos últimos anos na final da Champions. Não há favorito para o jogo de sábado. O que se sabe é que o Mundo vai parar para assistir ao primeiro aperitivo para a Copa 2010.

sábado, 15 de maio de 2010

A lista de Dunga


Poucas vezes o público recebeu tão mal uma convocação de Seleção Brasileira. Sempre há controvérsias quanto a um jogador ou outro, sempre se critica a falta de algum jogador em específico (como Romário em 2002), mas não sei se alguma vez uma lista de 23 tem tantos nomes diferentes da vontade da maioria.

Dunga está fazendo um ótimo trabalho, tendo em vista os resultados durante o tempo em que está à frente da equipe, e também se considerarmos que o futebol brasileiro não está em um momento muito bom. A safra atual é mesmo um pouco fraca se comparada com a de Inglaterra, Espanha e Alemanha. Ainda assim, o Brasil venceu a Copa das Confederações, fez ótima campanha nas Eliminatórias e em amistosos contra seleções fortes.

Não há o que se reclamar dos zagueiros chamados. Não há o que se reclamar do goleiro titular e do reserva escolhidos (Julio Cesar e Gomes). Não há o que se reclamar dos laterais direitos escolhidos. Até aí, perfeito.

Quanto à lateral esquerda, pode haver dúvidas. Marcelo do Real Madrid e Fabio Aurélio do Liverpool poderiam ser boas opções, mas até aqui ainda não há muito o que se criticar. O problema é o meio-de-campo, justamente aquele setor em que Dunga jogava tão bem. Deixemos, então, o meio-de-campo para analisarmos por último.

Para o ataque, Luis Fabiano, Robinho e Nilmar são escolhas óbvias. O quarto atacante é que não parece ser jogador para Copa do Mundo, mas tem um estilo de jogo que pode ser útil em alguns casos. Na verdade, Dunga convocou jogadores pensando objetivamente em quem poderá ser útil à Seleção. Na raça, no empenho, na parte física e na parte emocional.

No que diz respeito ao meio-campo, isso se aplica direitinho. Sete oitavos dos meio-campistas são volantes, e possuem essas características. Esqueceu-se, porém, de que o torcedor também quer ver talentos individuais e habilidade. E de que às vezes isso é fundamental numa Copa do Mundo. Há que se pensar também na parte técnica.

Quem deveria estar na lista? Ganso, sim. Ronaldinho, sim. Mas se Dunga não quis chamar o "ex-bola de ouro" por motivos pessoais, ou não queria arriscar em chamar um novato, no mínimo tinha obrigação de convocar Diego da Juventus ao invés de Julio Batista ou de Josué, para dar pelo menos mais uma opção criativa à equipe.

Tudo isso será que é porque em 1994 o Brasil foi campeão de um jeito parecido, sem ninguém para criar no meio? Um dos times campeões mais fraquinhos de todos os tempos, diga-se de passagem.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Próximas postagens

De maio a julho, o blog falará apenas de Copa do Mundo. A próxima postagem é sobre a convocação de Dunga. Mais para frente, serão feitos comentários a respeito das outras 31 seleções. Um pouco antes da Copa começar, publicaremos uma espécie de previsão do que pode acontecer. A cada final de rodada ou de fase, uma nova postagem a respeito do que aconteceu. Essas serão as próximas postagens, e os demais assuntos voltarão à pauta somente depois de julho.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Brasília, 50 anos

No momento em que se celebram os 50 anos da belíssima cidade de Brasília, a cidade passa por mais uma grave crise política, dessa vez envolvendo o governo distrital de Arruda.

Por um lado, falar de Brasília é falar de corrupção, de desvios de verbas, de incompetência parlamentar. É discutir, após esses cinqüenta anos, o que realmente representou essa mudança de centro político para o país e até que ponto houve benefícios nesse sentido.

Por outro lado, falar de Brasília é falar da sua beleza arquitetônica e de tudo o que lá floresceu na arte e cultura nacional nesses cinqüenta anos. Exemplo disso são as bandas de rock dos anos 80, como Paralamas e Legião Urbana.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ano de Copa, ano de Eleição

Pronto. Saiu o álbum oficial da Copa do Mundo, e já estão todos colecionando. Tanto que já começou a ficar difícil encontrar figurinhas nas bancas por aí. Saiu também uma coleção de DVDs da Revista Placar, com todos os filmes oficiais das Copas. O jornal Lance! está relançando também um bom livro de História das Copas do Mundo. Por fim, o jornalista Lycio Ribas publicou um livro espetacular sobre Copas do Mundo. É da editora Lua de Papel, e custa em torno de 60 reais. O livro é super completo em dados e estatísticas, e tem informações precisas e bem comentadas. Vale muito a pena.


É ano também de eleição, e já saíram os candidatos para presidente. A disputa, como já se esperava desde o ano passado, será mesmo entre Serra e Dilma, que já começaram a campanha em tom agressivo.  A pergunta que não quer calar: alguém já sabe quem é o novo governador de São Paulo? Muitos não conhecem, mas é Alberto Goldman, o vice de Serra, que assumiu semana passada.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O matemático que recusou um milhão

O matemático russo Grig­ory Perel­man, 44, con­sid­er­ado um dos maiores gênios vivos do mundo, declarou  que não tem inter­esse em rece­ber o prêmio de US$ 1 mil­hão a que tem dire­ito por ter resolvido a chamada Con­jec­tura de Poincaré. Em seu aparta­mento infes­tado de baratas em São Peters­burgo, Perel­man afir­mou, sem abrir a porta: “tenho tudo o que quero”, segundo infor­mou o jor­nal britânico Daily Mail.

Uma insti­tu­ição dos Esta­dos Unidos recon­heceu que o estu­dioso russo demon­strou a Con­jec­tura de Poin­caré, que desafi­ava os matemáti­cos há mais de um século. O matemático francês Jules Henri Poin­caré (1854–1912) esti­mou que, de forma sim­pli­fi­cada, qual­quer espaço tridi­men­sional sem furos seria equiv­a­lente a uma esfera esticada. Poin­caré e os matemáti­cos que vieram depois dele acred­i­tavam que a pro­posta estaria cor­reta, mas não con­seguiram uma prova algébrica sól­ida para ele­var a con­jec­tura à cat­e­go­ria de teorema.

A com­plex­i­dade do assunto levou o Insti­tuto de Matemática de Clay a incluir o prob­lema entre os “sete desafios do milênio”. Para cada desafio que fosse solu­cionado, o insti­tuto prom­e­teu pagar um prêmio de US$ 1 mil­hão (cerca de R$ 1,78 milhão). Na sem­ana pas­sada, James Carl­son, dire­tor do insti­tuto, recon­heceu a façanha de Perel­man e anun­ciou que a Con­jec­tura de Poin­caré é o primeiro dos sete desafios a ter solução.

domingo, 4 de abril de 2010

Para levantar polêmica

Em plena semana santa, vamos falar de religião. Como foi lançado recentemente o livro de Saramago, "Caim", é hora também de se estudar o Antigo Testamento. Aliás, para iniciar a polêmica, alguém que já começou a ler a Bíblia alguma vez com calma tem ainda coragem de acreditar que aquilo foi escrito por Deus? É nítida a falta de coesão entre os fragmentos. Algumas passagens se repetem e outras chegam a ser conflitantes. Nem precisa ir muito longe. Basta ler o Gênesis.

Já em meados do século XVIII se percebeu que as duas denominações de Deus que aparecem na Bíblia (Elohim é citado em torno de 2500 vezes, ao passo que Jeová é citado cerca de 7000) podiam corresponder a materiais de épocas e origens diferentes.

Atualmente, análises científicas aceitam a existência de quatro grandes tradições que compõem o Antigo Testamento: a Javista, datada dos séculos X-IX a. C., e que nomeia Deus como Jeová, a Eloísta, do século VIII a. C., e que nomeia Deus como Elohim, a Deuteronomista, do século VI a. C., e, por fim, a Sacerdotal, do século V a. C., criando uma série de relatos diferentes, que são por vezes inconciliáveis.

Não se quer desmerecer a tradição judaico-cristã, e muito menos seus ensinamentos valiosos, sobretudo no campo da ética. Mas ler a Bíblia só nos faz pensar que sua origem é humana, demasiadamente humana.