Não precisa muito. Basta conversar com jovens de qualquer classe social. Ainda que você tenha uma mente aberta e liberal, não há como negar que os seus valores são cada vez mais deturpados. Afinal, já são pelo menos três décadas de mediocridade nas salas de aula da educação básica e de desprezo aos educadores. Pelo menos duas décadas de predominância de uma fraca programação televisiva. Cerca de duas décadas de uma espécie de "vamos liberar geral", com relação à produção cultural veiculada nos meios de comunicação. Resquícios de uma sociedade naturalmente contrária à censura vivida na época do Regime Millitar, mas que acaba, ainda que indiretamente, compactuando com manifestações populares no mínimo estranhas como o chamado "funk carioca".
Parece um discurso conservador, é claro. Mas vale lembrar que há alguns anos, mais precisamente em 1992, um cantor chamado Gabriel o Pensador teve uma música sua censurada porque dizia que estava feliz por ter matado o presidente (Collor, na época). Cinco anos depois, uma banda que se manifestava favorável à legalização da maconha, o Planet Hemp, foi presa durante um show por fazer apologia às drogas. Na época, discutia-se até que ponto tais manifestações deveriam ou não ser censuradas.
Hoje, a questão é realmente grave, e ninguém se mobiliza a respeito. Algumas letras de funk fazem exaltação direta ao crime organizado e são hits entre adolescentes. Vale a pena conferir a reportagem do "The Observer" de 2005 e constatar que nada mudou, ou se mudou foi para pior. É verdade também que os veículos de propagação da produção cultural (se é que podemos chamar isso de cultura) são hoje mais diversificados e difíceis de serem controlados. Mas o que mais chama a atenção é a falta de discussão a respeito.
Não é a censura que vai mudar alguma coisa, mas a criação de alternativas que possam substituir esses "lixos culturais". Nas salas de aula, nas igrejas, no terceiro setor, nos clubes e demais organizações da sociedade civil freqüentadas por jovens, há uma necessidade urgente de intervenção que promova o reestabelecimento de uma produção cultural, seja erudita ou popular, mas que não seja enviesada.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Educar com ou sem palmadas
A proposta de uma lei recentemente aprovada que proíbe os castigos físicos a crianças e adolescentes já está levantando polêmicas. A própria revista Veja, de grande circulação no país, já publicou uma matéria a respeito, criticando, ainda que indiretamente, a nova lei. Aliás, a revista Veja adora se posicionar em questões polêmicas como essa.
A lei vem para atualizar e regulamentar com mais precisão o Estatuto da Criança e do Adolescente, que já condenava os maus-tratos, mas não deixava clara a questão das punições corporais.
De qualquer modo, é uma boa discussão: o Estado tem o direito de interferir nesse tipo de relação privada, como a educação familiar? Acreditamos que sim, se o que está em questão é a integridade física e psíquica de crianças e adolescentes.
A lei vem para atualizar e regulamentar com mais precisão o Estatuto da Criança e do Adolescente, que já condenava os maus-tratos, mas não deixava clara a questão das punições corporais.
De qualquer modo, é uma boa discussão: o Estado tem o direito de interferir nesse tipo de relação privada, como a educação familiar? Acreditamos que sim, se o que está em questão é a integridade física e psíquica de crianças e adolescentes.
sábado, 17 de julho de 2010
Longe é um lugar que não existe
Pelo menos é assim para nossos colegas Marcão e Cris. Eles resolveram fazer mais uma de suas aventuras pelo Mundo afora. Uma viagem que está sendo programada há anos. Já saíram de São Paulo e começaram pela África do Sul. Depois, entre outros lugares, Egito, Oriente Médio, Índia, Sudeste Asiático, Oceania, Havaí, e terminando à Kerouac, atravessando de carro todo os Estados Unidos.
Para todos acompanharem esse trajeto, estão atualizando seus dois blogs. O do Marcão é o http://www.blogontheroad.com/ e o da Cris é o http://www.viajarcomgosto.com/. Cada um a seu modo, já que o Marcão é fotógrafo e produtor de cinema, e a Cris é chef de cozinha. Vale a pena conferir as histórias e as belas imagens.
Para todos acompanharem esse trajeto, estão atualizando seus dois blogs. O do Marcão é o http://www.blogontheroad.com/ e o da Cris é o http://www.viajarcomgosto.com/. Cada um a seu modo, já que o Marcão é fotógrafo e produtor de cinema, e a Cris é chef de cozinha. Vale a pena conferir as histórias e as belas imagens.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Acabou a Copa
Pois é. Acabou a Copa. Agora é hora de voltar a falar de outros temas, não sem antes fazermos um balanço final. A campeã foi a Espanha, a oitava campeã da História, mas poderia ter sido qualquer um dos quatro semi-finalistas. A Holanda também soube trabalhar bem a bola e venceu bem os seis jogos que disputou antes da final. Teve sempre mais posse de bola e jogou sempre pelo chão, como é de seu estilo. Também continuou usando linha de impedimento, como a Holanda do Carrossel e a de 98. Não fugiu em momento algum de sua característica, até chegar à final e encontrar uma equipe com características semelhantes, que também privilegiava a posse de bola e os passes rasteiros. A diferença é que a Espanha conseguiu fazer maior movimentação ofensiva e tinha um elenco um pouco melhor tecnicamente. O título foi merecido, mas isso não tirou os méritos de jogadores como Robben e Sneijder.
A Alemanha foi brilhante contra Argentina e Inglaterra, mas também se perdeu no jogo contra os espanhóis. Não conseguiram encaixar os contra-ataques e seu principal jogador foi muito bem marcado: Schweinsteiger. Mérito dos espanhóis mais uma vez. O time alemão, jovem e de encher os olhos, se contentou mesmo com o terceiro lugar. Já os uruguaios, depois de uma partida épica contra Gana (a mais emocionante do Mundial), acabaram perdendo com dignidade, e ainda tiveram o prêmio do melhor jogador da Copa - Forlán.
Para o Brasil, faltou mesmo elenco e tranqüilidade, mas se pode dizer que a campanha de Dunga foi satisfatória, tendo em vista o nível de equilíbrio desta Copa. O mesmo serve para a Argentina de Maradona. Vale ressaltar que a única seleção que terminou invicta a competição foi a Nova Zelândia (quem diria?).
Por fim, destaque para o polvo que adivinhava os resultados: não errou uma. Já se diz aqui no Brasil que perguntaram para o polvo quem ia vencer a eleição brasileira (Dilma ou Serra) e ele tentou várias vezes sair do aquário.
A Alemanha foi brilhante contra Argentina e Inglaterra, mas também se perdeu no jogo contra os espanhóis. Não conseguiram encaixar os contra-ataques e seu principal jogador foi muito bem marcado: Schweinsteiger. Mérito dos espanhóis mais uma vez. O time alemão, jovem e de encher os olhos, se contentou mesmo com o terceiro lugar. Já os uruguaios, depois de uma partida épica contra Gana (a mais emocionante do Mundial), acabaram perdendo com dignidade, e ainda tiveram o prêmio do melhor jogador da Copa - Forlán.
Para o Brasil, faltou mesmo elenco e tranqüilidade, mas se pode dizer que a campanha de Dunga foi satisfatória, tendo em vista o nível de equilíbrio desta Copa. O mesmo serve para a Argentina de Maradona. Vale ressaltar que a única seleção que terminou invicta a competição foi a Nova Zelândia (quem diria?).
Por fim, destaque para o polvo que adivinhava os resultados: não errou uma. Já se diz aqui no Brasil que perguntaram para o polvo quem ia vencer a eleição brasileira (Dilma ou Serra) e ele tentou várias vezes sair do aquário.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Chegou a Fase Final!
Agora, restam apenas oito partidas para o fim da 19ª Copa. Muitas indefinições. Alemanha e Argentina até agora são as melhores equipes do Mundial, mas se enfrentam já nas quartas. Os alemães parecem estar com mais entrosamento. Derrotaram os ingleses com muita competência numa partida emocionante, que entrará para a História por causa do gol de Lampard que o árbitro anulou (impossível não fazer uma comparação com o gol de Hurst que foi validado há 44 anos). Os argentinos, apesar de não terem o mesmo entrosamento, têm valores individuais que desequilibram, como Messi. Será outra partida épica. O vencedor provavelmente enfrentará a Espanha, que deve ter qualidade suficiente para desbancar o regular mas pouco criativo Paraguai.
Do mesmo jeito, Brasil e Holanda fazem outra disputa interessante. A melhor defesa no papel é a do Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lúcio e Juan. Só Michel Bastos na esquerda não inspira tanta confiança. O problema é que é justamente daquele lado que joga Robben, craque holandês. Será um duelo interessante. A Holanda pode complicar a vida do Brasil, que tem desfalques no meio-campo. Os europeus podem vencer o duelo no meio-campo e devem ter a posse de bola. Mas isso pode não contar muito, já que o contra-ataque canarinho é muito eficiente, com Robinho em boa fase, e Luis Fabiano com condições de ganhar disputas de bolas longas dos zagueiros laranjas.
O confronto entre Uruguai e Gana será muito interessante. A equipe africana conta com a força defensiva e os bons marcadores do meio-campo para tentar ganhar o jogo em um contra-ataque, em uma bola longa, ou na bola parada, contando com a força de Boateng e o oportunismo de Gyan. Já os sul-americanos deverão manter a posse da bola e torcer pela inspiração de Suarez e Forlan, dois dos craques da Copa até aqui.
Dia 12 de julho comentaremos as finais e faremos um balanço final da Copa, antes de mudarmos de assunto, já que em breve teremos eleições...
Do mesmo jeito, Brasil e Holanda fazem outra disputa interessante. A melhor defesa no papel é a do Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lúcio e Juan. Só Michel Bastos na esquerda não inspira tanta confiança. O problema é que é justamente daquele lado que joga Robben, craque holandês. Será um duelo interessante. A Holanda pode complicar a vida do Brasil, que tem desfalques no meio-campo. Os europeus podem vencer o duelo no meio-campo e devem ter a posse de bola. Mas isso pode não contar muito, já que o contra-ataque canarinho é muito eficiente, com Robinho em boa fase, e Luis Fabiano com condições de ganhar disputas de bolas longas dos zagueiros laranjas.
O confronto entre Uruguai e Gana será muito interessante. A equipe africana conta com a força defensiva e os bons marcadores do meio-campo para tentar ganhar o jogo em um contra-ataque, em uma bola longa, ou na bola parada, contando com a força de Boateng e o oportunismo de Gyan. Já os sul-americanos deverão manter a posse da bola e torcer pela inspiração de Suarez e Forlan, dois dos craques da Copa até aqui.
Dia 12 de julho comentaremos as finais e faremos um balanço final da Copa, antes de mudarmos de assunto, já que em breve teremos eleições...
sábado, 26 de junho de 2010
Terceira Rodada
A terceira rodada reservou algumas zebras. Algumas seleções de tradição ficaram de fora da Copa, mas já não se esperava muito de Itália e França nesse ano. Da Itália ainda se previa a classificação para as oitavas, mas da França, nem isso. A grande zebra mesmo veio do grupo da Holanda, com a classificação do Japão no lugar de Dinamarca e Camarões. Nas oitavas-de-final, muitos confrontos interessantes. Chamou atenção também o fato de que pela primeira vez na História os anfitriões não se classificaram. Outro dado interessante é que teremos seis europeus na fase de oitavas, mas pelo cruzamento surge outro dado histórico interessante, já que teremos somente três europeus entre os oito melhores - vale ressaltar que a proporção de países europeus na Copa nunca foi tão baixa.
O Uruguai fez uma ótima primeira fase. Tem uma defesa boa comandada por Lugano, um meio-campo que marca muito e cria pouco, e pelo menos dois atacantes de muita qualidade (Forlán e Suarez). Acabou resolvendo o problema de criação trazendo Forlán para o meio, numa boa aposta do treinador. Sua adversária Coréia até agora jogou fechada, num 4-5-1, e saindo em velocidade no contra-ataque. Ao que parece, classificou-se por estar num grupo não tão forte, e por ter encontrado uma Nigéria de pouca inspiração ofensiva.
A Argentina terminou a primeira fase com a melhor campanha e tem boas chances contra o México, ao menos em tese. Acontece que o time mexicano não está morto, e tem jogadores com velocidade para explorar as deficiências portenhas pelos lados do campo. Mascherano terá trabalho para cobrir as laterais, que devem ser ocupadas pelos bons laterais mexicanos Osorio e Salcido, além de Giovani dos Santos, um habilidoso ponta. A vantagem da Argentina é a presença de Messi e seus companheiros de frente. Talvez seja um jogo de muitos gols, pelas características ofensivas das duas equipes.
Nos confrontos dos cruzamentos dos grupos C e D, encontraremos uma equipe norte-americana com muita empolgação, por ter conquistado com justiça o primeiro lugar de seu grupo, embora apenas nos acréscimos do jogo contra a Argélia. Os EUA jogam num esquema 4-4-2 inglês, com duas linhas. Tem um bom goleiro, uma boa dupla de zaga, um bom volante (Bradley) e um meia de qualidade (Donovan). Faltam definidores no ataque. Seu adversário, Gana, deu muita sorte até aqui. Beneficiado pelos outros resultados de um grupo muito equilibrado, e por dois pênalties que sérvios e australianos cometeram - os únicos gols de Gana até aqui saíram de pênalti. De resto, o time sente muito a ausência de Essien, mas tem dois bons valores no meio-campo: Boateng e Ayew. A defesa é sólida e levou somente dois gols até aqui. Ainda assim, ligeiro favoritismo para os americanos.
Inglaterra e Alemanha farão o maior clássico da segunda fase, e talvez um dos maiores da Copa. Os ingleses têm um ótimo elenco, mas vivem um momento péssimo em termos de condição física. Ficou claro que não tiveram fôlego para atacar seus três adversários da primeira fase no segundo tempo, o que nos faz crer que não aguentarão uma prorrogação daqui para frente. Lógico que a qualidade técnica de Gerrard, Lampard e Rooney é superior à de praticamente todas as equipes, mas a condição física atrapalha. Os alemães entrarão novamente com seu esquema 4-2-3-1, mas podem sentir a falta de um dos organizadores de jogo, já que Schweinsteiger é dúvida. Partida indefinida. Vale lembrar que desde 1938 a Alemanha sempre passa no mínimo às quartas-de-final.
O Japão surpreendeu a todos. Com dois gols de falta no primeiro tempo, superou a equipe da Dinamarca, mais técnica, mas que não teve pernas para correr atrás do resultado. Agora enfrenta o Paraguai, equipe regular que joga num esquema de duas linhas de quatro e que tem uma de suas principais jogadas na descida do lateral-esquerdo Morel Rodriguez. O Japão deve jogar de igual para igual, já que melhorou muito defensivamente de uns anos para cá. Está com uma boa dupla de zaga e aposta nos contra-ataques ou nas bolas paradas. Outro jogo equilibrado.
A Holanda está sobrando até agora na Copa. Faz boas jogadas de meio-campo e bons chutes de longe, e tem um grande repertório ofensivo. Ainda não se sabe ao certo se sua defesa está à altura. Mas deve ser suficiente para vencer a boa Eslováquia, agora único representante do futebol do leste europeu. Os eslovacos venceram os italianos, numa das partidas mais emocionantes da Copa. Souberam marcar bem, e Hamski apareceu mais para o jogo. Tiveram um pouco de sorte também, mas mereceram a vaga. A Itália pagou o preço de apostar demais na camisa e não conseguiu montar uma equipe competitiva, com opções mais diversificadas de jogo.
Por fim, Brasil e Chile farão outro ótimo duelo latino-americano. Uma das surpresas da Copa pelo futebol vistoso e ofensivo, o Chile tem time para bater o Brasil. Tem muitas opções ofensivas, e uma boa zaga, mas que é pouco ajudada pelo meio-campo. Mesmo assim, talvez a camisa "pese" e o Brasil se imponha, apesar das deficiências no ataque. Os suíços acabaram de fora, até pela incompetência ofensiva, já que se manteriam no confronto se tivessem feito dois gols em Honduras. Mas isso seria injusto aos chilenos.
Espanhóis e portugueses farão outro duelo europeu, como muitos já aguardavam. Os espanhóis tem mais qualidade no elenco e mais opções de jogo, mas o time português sabe se defender bem e não tomou nenhum gol até aqui. O técnico português montou bem a equipe, congestionando o meio-campo e, até aqui, jogando de acordo com o adversário. A Espanha tem mais time, mas Portugal não vai deixá-la jogar. Outro confronto equilibrado.
O Uruguai fez uma ótima primeira fase. Tem uma defesa boa comandada por Lugano, um meio-campo que marca muito e cria pouco, e pelo menos dois atacantes de muita qualidade (Forlán e Suarez). Acabou resolvendo o problema de criação trazendo Forlán para o meio, numa boa aposta do treinador. Sua adversária Coréia até agora jogou fechada, num 4-5-1, e saindo em velocidade no contra-ataque. Ao que parece, classificou-se por estar num grupo não tão forte, e por ter encontrado uma Nigéria de pouca inspiração ofensiva.
A Argentina terminou a primeira fase com a melhor campanha e tem boas chances contra o México, ao menos em tese. Acontece que o time mexicano não está morto, e tem jogadores com velocidade para explorar as deficiências portenhas pelos lados do campo. Mascherano terá trabalho para cobrir as laterais, que devem ser ocupadas pelos bons laterais mexicanos Osorio e Salcido, além de Giovani dos Santos, um habilidoso ponta. A vantagem da Argentina é a presença de Messi e seus companheiros de frente. Talvez seja um jogo de muitos gols, pelas características ofensivas das duas equipes.
Nos confrontos dos cruzamentos dos grupos C e D, encontraremos uma equipe norte-americana com muita empolgação, por ter conquistado com justiça o primeiro lugar de seu grupo, embora apenas nos acréscimos do jogo contra a Argélia. Os EUA jogam num esquema 4-4-2 inglês, com duas linhas. Tem um bom goleiro, uma boa dupla de zaga, um bom volante (Bradley) e um meia de qualidade (Donovan). Faltam definidores no ataque. Seu adversário, Gana, deu muita sorte até aqui. Beneficiado pelos outros resultados de um grupo muito equilibrado, e por dois pênalties que sérvios e australianos cometeram - os únicos gols de Gana até aqui saíram de pênalti. De resto, o time sente muito a ausência de Essien, mas tem dois bons valores no meio-campo: Boateng e Ayew. A defesa é sólida e levou somente dois gols até aqui. Ainda assim, ligeiro favoritismo para os americanos.
Inglaterra e Alemanha farão o maior clássico da segunda fase, e talvez um dos maiores da Copa. Os ingleses têm um ótimo elenco, mas vivem um momento péssimo em termos de condição física. Ficou claro que não tiveram fôlego para atacar seus três adversários da primeira fase no segundo tempo, o que nos faz crer que não aguentarão uma prorrogação daqui para frente. Lógico que a qualidade técnica de Gerrard, Lampard e Rooney é superior à de praticamente todas as equipes, mas a condição física atrapalha. Os alemães entrarão novamente com seu esquema 4-2-3-1, mas podem sentir a falta de um dos organizadores de jogo, já que Schweinsteiger é dúvida. Partida indefinida. Vale lembrar que desde 1938 a Alemanha sempre passa no mínimo às quartas-de-final.
O Japão surpreendeu a todos. Com dois gols de falta no primeiro tempo, superou a equipe da Dinamarca, mais técnica, mas que não teve pernas para correr atrás do resultado. Agora enfrenta o Paraguai, equipe regular que joga num esquema de duas linhas de quatro e que tem uma de suas principais jogadas na descida do lateral-esquerdo Morel Rodriguez. O Japão deve jogar de igual para igual, já que melhorou muito defensivamente de uns anos para cá. Está com uma boa dupla de zaga e aposta nos contra-ataques ou nas bolas paradas. Outro jogo equilibrado.
A Holanda está sobrando até agora na Copa. Faz boas jogadas de meio-campo e bons chutes de longe, e tem um grande repertório ofensivo. Ainda não se sabe ao certo se sua defesa está à altura. Mas deve ser suficiente para vencer a boa Eslováquia, agora único representante do futebol do leste europeu. Os eslovacos venceram os italianos, numa das partidas mais emocionantes da Copa. Souberam marcar bem, e Hamski apareceu mais para o jogo. Tiveram um pouco de sorte também, mas mereceram a vaga. A Itália pagou o preço de apostar demais na camisa e não conseguiu montar uma equipe competitiva, com opções mais diversificadas de jogo.
Por fim, Brasil e Chile farão outro ótimo duelo latino-americano. Uma das surpresas da Copa pelo futebol vistoso e ofensivo, o Chile tem time para bater o Brasil. Tem muitas opções ofensivas, e uma boa zaga, mas que é pouco ajudada pelo meio-campo. Mesmo assim, talvez a camisa "pese" e o Brasil se imponha, apesar das deficiências no ataque. Os suíços acabaram de fora, até pela incompetência ofensiva, já que se manteriam no confronto se tivessem feito dois gols em Honduras. Mas isso seria injusto aos chilenos.
Espanhóis e portugueses farão outro duelo europeu, como muitos já aguardavam. Os espanhóis tem mais qualidade no elenco e mais opções de jogo, mas o time português sabe se defender bem e não tomou nenhum gol até aqui. O técnico português montou bem a equipe, congestionando o meio-campo e, até aqui, jogando de acordo com o adversário. A Espanha tem mais time, mas Portugal não vai deixá-la jogar. Outro confronto equilibrado.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Segunda Rodada
A segunda rodada foi bem melhor que a primeira. Destaque para os cinco sul-americanos!
Grupo A: Uruguai e México fizeram ótimas partidas e largaram na frente na disputa da vaga desse que parece ser o grupo mais equilibrado. O Uruguai resolveu apostar em uma formação mais ofensiva, com quatro defensores e três atacantes, com Forlán servindo de ponta-de-lança. Funcionou bem, e a vitória da celeste foi mais do que merecida. Já a França decepcionou mais uma vez. É estranho. O futebol francês sofre de uma safra ruim, mas parece que Domenech insiste em escalar um time mais fraco do que poderia. O México manteve o esquema do jogo contra a África mas só criou mais oportunidades quando mudou os homens de frente.
Grupo B: A Argentina fez outra ótima partida, dessa vez contra a fraca Coréia. Sem Verón parece que o time tem mais velocidade na saída de bola e na marcação. Está praticamente garantida nas oitavas, e praticando talvez o melhor futebol da Copa. Já a Grécia conseguiu um feito histórico ao vencer seu primeiro jogo em Copas do Mundo. Tudo graças à bobagem do volante africano Kaita, que foi expulso tolamente. O goleiro nigeriano também falhou em um lance de gol, mas ainda assim é um dos melhores do mundial. A Nigéria, aliás, ainda tem boas chances de se classificar na última rodada. Basta vencer a Coréia e torcer por uma óbvia vitória argentina contra os helênicos, que não devem ter condições de avançar.
Grupo C: Esse grupo é o que traz maiores surpresas. A Eslovênia quase garantiu a vaga numa ótima disputa com os Estados Unidos. Ambas as equipes são arrumadas no meio-campo e têm bom toque de bola. Problemas para uma das maiores favoritas, a Inglaterra. A equipe inglesa ainda não se encontrou na competição e não conseguiu vencer a fechada Argélia. Vai precisar de uma vitória na última rodada e certamente terá dificuldade. Não se sabe se o problema dos ingleses é somente físico, ou também emocional, agravado pela falha do goleiro Green, mas não é a primeira vez que essa mesma geração, comandada por Lampard e Gerrard, decepciona (ao menos até agora) em uma Copa do Mundo.
Grupo D: A Sérvia recuperou-se muito bem do desastre da partida de estréia. O treinador trocou os jogadores inócuos da primeira partida e os sérvios conseguiram tocar melhor a bola. A Alemanha não jogou mal, mas não conseguiu criar muitas oportunidades frente à forte linha de quatro da defesa sérvia. A expulsão de Klose e o pênalti perdido por Podolski também atrapalharam e podem complicar a vida dos germânicos na Copa. A questão é que o time de Gana decepcionou mais uma vez, embora continue invicto na competição. Os ganeses se aproveitaram da marcação de um pênalti duvidoso contra a Austrália, que jogou uma boa partida, e que tinha um meio-campo mais arrumado. Apesar de o time africano ter jogado quase que o jogo todo com um homem a mais, ficou segurando o empate. Sendo assim, os alemães devem se classificar contra Gana, e talvez a outra vaga fique para a Sérvia. Ao menos seria o mais justo.
Grupo E: A Holanda continua bem na Copa. Chegou a ter oitenta por cento de posse de bola contra os japoneses, mas tinham dificuldade de vencer a barreira nipônica. Só conseguiu no segundo tempo, com chute de fora de Sneijder, uma ótima arma para o time laranja. O Japão vai para o último jogo tentar a vaga contra a Dinamarca, que, na melhor partida da Copa até aqui, derrotou a seleção de Camarões. Foi um grande jogo, até porque os camaroneses entraram com uma formação de mais qualidade técnica, e enfrentaram uma Dinamarca bastante ofensiva. Ambas as equipes mereceram ir mais longe na Copa, mas os africanos já estão fora da Copa após a derrota por 2 a 1, após uma partida de muitas alternativas.
Grupo F: Um grupo muito complicado. A Nova Zelândia continua surpreendendo e conseguiu segurar a ainda pouco criativa Itália. Aliás, Lippi deveria entrar com Pazzini ou Di Natale desde o começo para abrir mais o jogo pelas pontas, talvez a única alternativa para uma equipe que ainda ressente muito a falta de Pirlo. Por fim, destaque para a boa partida do Paraguai que, sem ser brilhante tecnicamente, está fazendo uma boa Copa e venceu os eslovacos. A Eslováquia ainda tem chances, mas seus dois jogadores de qualidade no meio-campo não se entenderam ainda: Hamsik e Weiss.
Grupo G: O Brasil fez uma ótima partida contra o time de Drogba. O jogo, que garantiu a classificação ao time de Dunga foi marcado por muitas jogadas violentas e erros de arbitragem. Luis Fabiano fez dois golaços, mas um deles foi irregular, por ter dominado com o braço. Já Portugal também está quase garantido após se aproveitar das falhas da defesa norte-coreana e fazer a maior goleada da Copa: 7 a 0.
Grupo H: A Espanha se recuperou bem da derrota na estréia e venceu por 2 a 0, embora perdesse muitas outras chances de golear. Honduras está praticamente fora. Chile e Suíça fizeram uma partida empolgante de ataque contra defesa. Os chilenos mostraram novamente um futebol ofensivo muito bonito e conseguiram furar o bloqueio forte dos suíços. Infelizmente não se sabe se as duas seleções de maior qualidade técnica do grupo irão passar para as oitavas, já que a Suíça ainda tem grandes chances de classificar, pois pega Honduras no último jogo.
Grupo A: Uruguai e México fizeram ótimas partidas e largaram na frente na disputa da vaga desse que parece ser o grupo mais equilibrado. O Uruguai resolveu apostar em uma formação mais ofensiva, com quatro defensores e três atacantes, com Forlán servindo de ponta-de-lança. Funcionou bem, e a vitória da celeste foi mais do que merecida. Já a França decepcionou mais uma vez. É estranho. O futebol francês sofre de uma safra ruim, mas parece que Domenech insiste em escalar um time mais fraco do que poderia. O México manteve o esquema do jogo contra a África mas só criou mais oportunidades quando mudou os homens de frente.
Grupo B: A Argentina fez outra ótima partida, dessa vez contra a fraca Coréia. Sem Verón parece que o time tem mais velocidade na saída de bola e na marcação. Está praticamente garantida nas oitavas, e praticando talvez o melhor futebol da Copa. Já a Grécia conseguiu um feito histórico ao vencer seu primeiro jogo em Copas do Mundo. Tudo graças à bobagem do volante africano Kaita, que foi expulso tolamente. O goleiro nigeriano também falhou em um lance de gol, mas ainda assim é um dos melhores do mundial. A Nigéria, aliás, ainda tem boas chances de se classificar na última rodada. Basta vencer a Coréia e torcer por uma óbvia vitória argentina contra os helênicos, que não devem ter condições de avançar.
Grupo C: Esse grupo é o que traz maiores surpresas. A Eslovênia quase garantiu a vaga numa ótima disputa com os Estados Unidos. Ambas as equipes são arrumadas no meio-campo e têm bom toque de bola. Problemas para uma das maiores favoritas, a Inglaterra. A equipe inglesa ainda não se encontrou na competição e não conseguiu vencer a fechada Argélia. Vai precisar de uma vitória na última rodada e certamente terá dificuldade. Não se sabe se o problema dos ingleses é somente físico, ou também emocional, agravado pela falha do goleiro Green, mas não é a primeira vez que essa mesma geração, comandada por Lampard e Gerrard, decepciona (ao menos até agora) em uma Copa do Mundo.
Grupo D: A Sérvia recuperou-se muito bem do desastre da partida de estréia. O treinador trocou os jogadores inócuos da primeira partida e os sérvios conseguiram tocar melhor a bola. A Alemanha não jogou mal, mas não conseguiu criar muitas oportunidades frente à forte linha de quatro da defesa sérvia. A expulsão de Klose e o pênalti perdido por Podolski também atrapalharam e podem complicar a vida dos germânicos na Copa. A questão é que o time de Gana decepcionou mais uma vez, embora continue invicto na competição. Os ganeses se aproveitaram da marcação de um pênalti duvidoso contra a Austrália, que jogou uma boa partida, e que tinha um meio-campo mais arrumado. Apesar de o time africano ter jogado quase que o jogo todo com um homem a mais, ficou segurando o empate. Sendo assim, os alemães devem se classificar contra Gana, e talvez a outra vaga fique para a Sérvia. Ao menos seria o mais justo.
Grupo E: A Holanda continua bem na Copa. Chegou a ter oitenta por cento de posse de bola contra os japoneses, mas tinham dificuldade de vencer a barreira nipônica. Só conseguiu no segundo tempo, com chute de fora de Sneijder, uma ótima arma para o time laranja. O Japão vai para o último jogo tentar a vaga contra a Dinamarca, que, na melhor partida da Copa até aqui, derrotou a seleção de Camarões. Foi um grande jogo, até porque os camaroneses entraram com uma formação de mais qualidade técnica, e enfrentaram uma Dinamarca bastante ofensiva. Ambas as equipes mereceram ir mais longe na Copa, mas os africanos já estão fora da Copa após a derrota por 2 a 1, após uma partida de muitas alternativas.
Grupo F: Um grupo muito complicado. A Nova Zelândia continua surpreendendo e conseguiu segurar a ainda pouco criativa Itália. Aliás, Lippi deveria entrar com Pazzini ou Di Natale desde o começo para abrir mais o jogo pelas pontas, talvez a única alternativa para uma equipe que ainda ressente muito a falta de Pirlo. Por fim, destaque para a boa partida do Paraguai que, sem ser brilhante tecnicamente, está fazendo uma boa Copa e venceu os eslovacos. A Eslováquia ainda tem chances, mas seus dois jogadores de qualidade no meio-campo não se entenderam ainda: Hamsik e Weiss.
Grupo G: O Brasil fez uma ótima partida contra o time de Drogba. O jogo, que garantiu a classificação ao time de Dunga foi marcado por muitas jogadas violentas e erros de arbitragem. Luis Fabiano fez dois golaços, mas um deles foi irregular, por ter dominado com o braço. Já Portugal também está quase garantido após se aproveitar das falhas da defesa norte-coreana e fazer a maior goleada da Copa: 7 a 0.
Grupo H: A Espanha se recuperou bem da derrota na estréia e venceu por 2 a 0, embora perdesse muitas outras chances de golear. Honduras está praticamente fora. Chile e Suíça fizeram uma partida empolgante de ataque contra defesa. Os chilenos mostraram novamente um futebol ofensivo muito bonito e conseguiram furar o bloqueio forte dos suíços. Infelizmente não se sabe se as duas seleções de maior qualidade técnica do grupo irão passar para as oitavas, já que a Suíça ainda tem grandes chances de classificar, pois pega Honduras no último jogo.
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