terça-feira, 5 de maio de 2009

Pelo fim do conteudismo? - as funções da escola



Já falamos inúmeras vezes nesse blog a respeito da necessidade urgente da valorização do profissional da educação - sobretudo o do Ensino Básico. Somente assim encontraremos avanços na qualificação dos educadores, fundamento para qualquer futura mudança na área. Sem um bom número de educadores qualificados, não haverá nunca progresso significativo.

Não adianta o MEC querer implantar filosofia e sociologia no Ensino Médio se não há gente qualificada para dar esses cursos. Não adianta fazer grandes alterações no Vestibular se os alunos continuam saindo da escola muitas vezes sem saber ler e escrever.

A última proposta de alteração do MEC é a de acabar com a tradicional divisão por disciplinas. Ao invés de dez disciplinas, sobrariam apenas quatro. Por exemplo, as matérias de História, Geografia e Filosofia se fundiriam em uma mais abrangente denominada Ciências Humanas. As outras seriam Matemática, Ciências (incluindo Biologia, Química e Física) e Línguas. Tudo isso para incentivar a chamada interdisciplinaridade. Bacana. Mas se não temos gente qualificada, quem vai saber pôr em prática essas mudanças adequadamente?

O resultado disso tudo é que o MEC, ao tentar, ainda que acertadamente, combater o conteudismo, vai acabar caindo em um outro extremo, o da falta total de conteúdo.

Sempre fui defensor de um ensino que privilegie o raciocínio, a reflexão e a autonomia. No entanto, corremos o risco de desprezar uma das funções da escola, que é a de transmitir o saber adquirido ao longo dos tempos.

6 comentários:

Dan disse...

Já vi isso no tempo da DITADURA MILITAR, esses caras são ovo dessas galinhas. Sera? Tudo pra deixar a população brasileira cada vez mais burra.

Valmir disse...

O difícil, Dan, é deixar a população brasileira mais burra. :-(

Valmir disse...

É a maneira que encontraram de investir no ensino básico: 05/05/2009 - 20h52
MEC vai comprar 2 milhões de cadeiras e mesas para a educação básica http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/05/05/ult105u7990.jhtm

felício disse...

mas aconteceram algumas mudanças já nessa semana.. viram?
o governo vai fazer um concurso novo, com salário maior para dar aulas no estado. e também vai aos poucos acabar com os eventuais.
tomara q dê certo

Camila Rodrigues disse...

Eu penso que a proposta do MEC de resumir as disciplinas quase que "por temas", como você apresentou aqui, não seria uma idéia assim tão boa. Ao que eu posso julgar, todas as novas disciplinas deveriam ser diretamente relacionadas à de "língua", que é a que determina basicamente o estudo das linguagens...na pesquisa em história eu sempre trabalhei (ou tentei trabalhar) com interdiscinaridade e sobre isso só posso dizer que se trata de um aprofundamento imenso nos estudos das linguagens que dialogam ou não dialogam... ou seja, é um campo complicadíssimo, que exige do profissional da educação conhecimentos vários em diversas linguagens... é difícil, mas rico e empolgante, mas eu só pósso falar do Ensino Médio... mas será que em fase ainda inicial (falo do chamado ensino fundamental) o aluno não precisa adquirir conhecimentos básicos a respeito das tradicionais nove discuplinas, separadamente, para só então conseguir assimilar e até produzir a sonhada interdisciplinaridade? Eu falo isso porque eu, pessoalmente, considero muito o respeito à aduração até que se produza real assimilação de informções dos alunos...
Sou contra conteudísmo a partir do segundo grau, mas para que se possa derrubá-lo com a menor redução da qualidade possível, é preciso oferecer alguma base na fase inicial da educação...
Bom, esse palavrório são mais impressões do que real conhecimento da causa ... continuarei acompanhando seus textos sobe educação, embora, infelizmente, esse ambiente não faça mas parte da minha vida atualmente!
Abraço
Camila

felício disse...

sei lá.. não entendi picas, como o cara do quadrinho
auhauhahuuhauha